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Jorge MartinsA SAGA BEIRÃ DOS HENRIQUES – Apesar da insuficiência dos dados de que dispomos neste momento percebe-se já que as famílias judaicas do concelho do Sabugal se cruzaram. Na verdade, a conhecida prática endogâmica das comunidades judaicas ajuda-nos a perceber melhor como se organizaram, movimentaram e resistiram os2 judeus às perseguições inquisitoriais. No Sabugal não terá sido diferente do resto do país.

Com efeito, as Beiras e Trás-os-Montes são autênticos laboratórios de investigação da história do criptojudaísmo. Aliás, é muito provável que as Beiras constituam a principal referência para os estudos judaicos durante o período de vigência dos tribunais do Santo Ofício (Lisboa, Coimbra, Évora), entre 1536 e 1821.
Atendendo às referidas insuficiências de dados, escolhemos as duas grandes famílias judaicas do Sabugal: os Henriques e os Rodrigues, como vimos anteriormente. Obviamente, há que ter em conta que estamos a falar apenas daqueles que caíram nas malhas da Inquisição, o que deixa de fora os que podem ter saído incólumes, ou os que tenham emigrado.
Começamos com os Henriques. Cruzando os locais de nascimento desta grande família judaica do Sabugal com os locais de residência quando foram presos, veremos melhor os seus percursos, quer por fuga à Inquisição, quer por alastramento da sua presença na região das Beiras, por razões familiares (casamentos) ou profissionais (actividades comerciais).

Quadro 1

Quadro 2

Ao observar o quadro, constatamos que podemos estabelecer dois grandes períodos para os Henriques. O primeiro, entre 1565 e 1725, em que os portadores daquele apelido nascidos no Sabugal acabaram presos pela Inquisição no próprio Sabugal (5), na Guarda (4), no Fundão (2), em Almeida (1), em Seia (1), em Santarém (1), nos Açores (1), na Galiza (1), no Brasil (1). Podemos concluir que os judeus, depois de algumas prisões de sabugalenses no próprio Sabugal, fugiram da sua terra natal para se fixarem noutros concelhos, principalmente na região das Beiras.
No período seguinte, entre 1725 e 1752, os Henriques nascidos noutros concelhos viriam a ser presos no Sabugal, naturais de Almeida (7), de Pinhel (6), de Penamacor (3), do Sabugal (2), Guarda (1), de Idanha-a-Nova (1), do Fundão (1), de Faro (1).
De facto, observa-se o percurso inverso, ou seja, um certo regresso ao Sabugal. Em todo o caso, foram menos os Henriques naturais do Sabugal a serem presos no seu próprio concelho (2) do que no período anterior (5).

CONCELHOS BEIRÕES DAS PRISÕES DOS HENRIQUES
MAPA 1 – ENTRE 1565 E 1725 MAPA 2 – ENTRE 1725 E 1752

Em suma, as deslocações dos Henriques – todos eles acusados de judaísmo – quase que se circunscreveram às Beiras ao longo de quase dois séculos de perseguições inquisitoriais (1565-1752), como se pode verificar nos mapas seguintes.
Quanto aos cruzamentos, por casamentos, dos Henriques com outras famílias judaicas, destacam-se os Rodrigues, com 13 ligações familiares, seguida dos Nunes, com 11 e de uma diversidade enorme de outras famílias, embora com diminuta representatividade, tais como: Almeida, Magalhães, Costa, Gonçalves, Mercado, Cunha, Solla. Com estas ligações, temos um alargamento da grande família judaica das Beiras em geral e do Sabugal em particular.
Para investigação futura, aqui fica uma genealogia provisória, muito incompleta certamente, de um dos ramos da família Henriques, com os anos de prisão dos réus identificados.


Clique na imagem para ampliar

«Na Rota dos Judeus do Sabugal», opinião de Jorge Martins
martinscjorge@gmail.com

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Os governos portugueses dos últimos anos ganharam o tique de legislar. Para sermos justos, há que dizer que não só os governos mas também a Assembleia da República sofre desse mal. Legisla-se por tudo e por nada, e muitas vezes mal! É difícil encontrar alguma coisa, ou assunto que não seja objecto de regulamentação, de uma lei, de um decreto, de uma portaria ou de um despacho normativo. As próprias autarquias tem também os seus regulamentos, em alguns casos, são mesmo obrigadas pelo governo ou pela Assembleia a fazê-los ou actualizá-los. Já não há margem para o improviso nem para o desenrascanço tão genuinamente português: legisla-se e regulamenta-se tudo.

António Cabanas - «Terras do Lince»Claro está que, se as regras servem para controlar os excessos de iniciativa, o excesso de regras limita a própria iniciativa, limita a nossa capacidade criativa, limita a actuação das empresas e dos cidadãos em geral. Por isso a economia queixa-se da falta de flexibilidade, e do excesso de leis que tolhe o investimento.
Com o argumento da preservação do ambiente ou da defesa do consumidor, pelas mais variadas razões económicas, éticas ou sociais, a classe política dirigente está sempre pronta a exercer o poder, legislando.
É caso para se suspeitar dos propósitos de tamanha diarreia legislativa. O que estará por detrás desse compulsivo tique para regulamentar? Será apenas a aselhice de quem não sabe governar de outro modo? Quem ganhará com o tique?
Atrás da legislação vêm sempre papéis, declarações, pareceres, certificações e, naturalmente, no fim da linha, os custos da licença, da aplicação informática, da certificação, da credenciação ou da adaptação à lei. Quando digo papéis, digo formulários, com janelinhas e quadros, indicadores, rácios, dados. O não preenchimento de um quadro, impede o prosseguimento do formulário, mas não há outro remédio, há que colocar tudo como o formulário exige, porque está tudo imbricado. E pronto, ficamos cadastrados na base de dados e na mira dos cruzamentos informáticos!
Uma vez criada a lei, é preciso fazê-la cumprir. Aparentemente, o estado tornou-se eficiente, e são poucos os que conseguem fugir às suas teias, ou da fiscalização, dos inspectores e da burocracia, como acontecia outrora. Menos ainda da teia das finanças!
Que o estado legislava demais, já todos o tínhamos sentido na pele, empresas, particulares, condutores, enfim, contribuintes.
Agora que o estado viesse, pela boca de uma assessora do governo, admitir que legisla mal, ninguém estava à espera! Temos que aplaudir tanta frontalidade em assumir o erro. E que erro! 7 mil milhões de euros é quanto custam ao país as más leis. Quem o diz é a jurista de Sócrates, Susana Brito. E logo outros experts vieram dizer que o valor até estava subestimado. E logo outros acrescentaram: é o resultado de se encomendarem as leis aos gabinetes de advogados! Encontrado afinal o bode expiatório! A culpa não é dos políticos, mas sim dos advogados!
Então já não há na assembleia e na administração pública quem saiba fazer leis!? Entendem-se assim as palavras de Marinho Pinho: «As leis são boas a justiça é que não presta!» É preciso defender as leis e a classe que afinal faz as leis, preferencialmente na justiça, com bons advogados, claro! Mas a culpa não pode ser dos advogados que, naturalmente, defendem a sua classe: mesmo que se encomendem, as leis deviam ser verificadas antes de publicar.
Ainda se lembram da «Lei dos Poços», de Maio de 2007, com coimas de 25.000 euros para os particulares e 60.000 para empresas? Vá lá que vieram as eleições no exacto momento em que devia entrar em vigor a parte mais dolorosa! Ao primeiro burburinho, deu-se logo marcha-atrás, e ainda bem que houve bom senso. O problema está nos anos em que não há eleições!
«Terras do Lince», opinião de António Cabanas

kabanasa@sapo.pt

«A Toca do Lobo», de Tomaz de Figueiredo, é um livro de memórias, onde a saudade está obsessivamente presente. Fala dos fantasmas e mortos-vivos que povoam o pensamento de Diogo Coutinho, um morgado moderno e citadino, oriundo de gente nobre, que decidiu voltar à casa da família, numa quinta, sumida nos montes.

Nessa velha casa de campo passara os melhores tempos da sua existência, na juventude: «Ali viveu muito, muito de vida vivida, outro tanto, ou muito mais, de vida imaginada: tão violentamente imaginada que valia por ter vivido muitas vidas».
Chamavam à casa senhorial, no Alto Minho, a Toca do Lobo, por ali ter estado encovilado, no «tempo dos franceses», o seu bisavô, Rodrigo Coutinho. Feroz, o bisavô possuía dentes pontudos e descompassados e não dava tréguas ao invasor abatendo franceses à cronhada, à navalha ou, quando não, filando-os à dentada.
O tempo passou e, irremediavelmente só, Diogo sente que o seu mundo de juventude, de exímio caçador de perdizes e de grandes caminhadas pelos campos, se perdeu com o correr dos anos, nada mais lhe restando que as recordações desse mundo longínquo. O livro de Tomaz de Figueiredo, é pois uma imensa e sentida rememoração do passado, de revisitação aos locais de antigamente, às conversas com os familiares já desaparecidos e com a gente simples e heróica que ajudava nos trabalhos da quinta.
É verdadeiramente encantador saborear a escrita metódica de Tomaz de Figueiredo, com as suas frases lapidares, carregadas de expressões populares, e as descrições vivas e sentimentais. Atente-se a estas expressões colocadas na voz do povo:
Ascorda, home, que nos estão a puxar à porta.
Ai! Que me mataram!
O binho do fidalgo é marinheiro, carambas! Assobe ao capacete!
Nunca fui de botar famas a ninguém.

Mas o livro também fala dos antigos prazeres da boa mesa, como quando descreve o regresso à casa senhorial após algum tempo de ausência:
«Chegavam e dava-lhes a todos a fome: era frigir à pressa um pastelão de chouriço, esfatiar o traço de vitela assado já de véspera. Não demorava a mulher do caseiro como duas infusas de leite – de vaca e de cabra, mungidas na própria hora – ainda quente dos úberes, a espumar. Daí a nada algum filho, com uma cesta-vindima de figos bacorinhos, murchos, de lágrima em ponto de fio, e alguns depenicados dos pássaros, de té torcido, “a cair da corneira”, como o rapaz dizia. A tia Mariana desenformava uma tigela da sua marmelada, primava em a apresentar na mesa tremente como um pudim gelado, tão fina era, tão carregada no açúcar, puxado até secar…».
Este romance, o primeiro de Tomaz de Figueiredo, foi publicado em 1947 e, no ano seguinte, foi agraciado com o prémio Eça de Queirós
Merece a pena ler a obra deste escritor de truz, sobre quem o crítico literário sabugalense João Bigotte Chorão, da Academia das Ciências, nos diz ser «um escritor, um cavador de palavras, um servidor do idioma».
«Sabores Literários», crónica de Paulo Leitão Batista

leitaobatista@gmail.com

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