Corria a década de 1970 quando Bernardo Bertolucci foi convidado pelo Partido Comunista Italiano para fazer um filme sobre a história do país durante a primeira metade do século XX. O resultado foi um épico de mais de cinco horas com Robert De Niro e Gérard Depardieu.

Pedro Miguel Fernandes - Série B«1900» conta a história de dois amigos nascidos no mesmo dia, um pobre (Depardieu) e um rico (De Niro), com os primeiros 45 anos do século XX italianos como pano de fundo. Este é também o pretexto para o Partido Comunista Italiano mostrar a sua versão daquele período e tal é o que fica registado ao longo das mais de cinco horas do épico de propaganda de Bertolucci. Pegando na história de amizade dos dois rapazes, cada um vindo do seu mundo, vemos em «1900» o que se passou em Itália durante a primeira metade.
1900E o trabalho está bem feito, tirando os exageros que os filmes de propaganda sempre têm. Vemos a queda das aristocracias com a imagem do avô de De Niro, interpretado por Burt Lancaster, a I Guerra Mundial onde os dois jovens combatem, o período dos loucos anos 1920 e a ascensão do fascismo durante os anos 1930 até ao final da II Guerra Mundial. Além da presença destes grandes actores no elenco, a que se pode acrescentar a excelente interpretação de Donald Sutherland como reitor da fazenda liderada pela família de De Niro e membro dos camisas negras de Mussolini, numa das personagens mais sádicas que me lembro de ver, há que ter em conta a banda sonora, que esteve a cargo de Ennio Morricone.
Mas para ver uma visão alternativa da primeira metade do século XX, neste caso do ponto de vista italiano, vale bem a pena aguentar as mais de cinco horas de «1900». Quanto mais não seja em duas sessões, como estreou nas salas de cinema.
«Série B», opinião de Pedro Miguel Fernandes

pedrompfernandes@sapo.pt

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