Vou começar o artigo com um dogma: a arte de governar não está ao alcance de qualquer um. A partir desta premissa, todo aquele que exerce um cargo político e seja inapto para o exercer, só desprestigia a politica, desprestigia os bons políticos e, o pior de tudo, desprestigia a Democracia.

António EmidioQuerido leitor(a), os cidadãos não se afastam da politica, como nos dá a impressão, os cidadãos afastam-se da má politica, e também dos maus políticos. Esses maus políticos originam coisas como esta: há uns tempos a esta parte foi feita uma sondagem por um instituto internacional, em que foram consultadas 61.000 pessoas em 60 países. Só sete por cento acreditam que a situação mundial melhorará por obra e graça dos homens e mulheres da política. Convém realçar que a sondagem foi feita antes de rebentar esta crise económica/financeira.
A alarmante e incessante corrupção económica, praticada por uma minoria, sem dúvida alguma por maus políticos, se o não fossem não eram corruptos, faz com que os cidadãos olhem para todos de igual modo. Mas não é assim, são uma minoria, mas esses seus actos de corrupção soam por todos os órgãos de comunicação social.
Um outro factor, e bem importante, do afastamento das pessoas, foi a entrada triunfante do neoliberalismo, e da substituição do Estado Social, por um Estado autoritário cujo fim é o lucro de empresas, desligando-se por completo do factor humano, e ajudando a criar desemprego, precariedade laboral, e pobreza. Dos primeiros a franquearem a porta do neoliberalismo, foi uma esquerda incolor que resvalou para o pragmatismo mais que reaccionário, abandonando ideologia e princípios, dizendo que essas coisas pertencem ao passado.
A mudança de partido, principalmente nas eleições autárquicas, sendo casos mais próximos dos cidadãos, fazem com que estes fiquem com uma má imagem da política e dos políticos. Claro, a realidade não é monolítica, e muitas vezes discrepamos das posições do nosso partido em questões ideológicas e de princípios, mas todos nós sabemos que a esmagadora maioria das trocas partidárias, tem a ver com benesses, vinganças pessoais, e até ignorância.
O que é um bom politico? É aquele que sabe distinguir entre GOVERNAR e exercer o PODER. É o que serve o bem comum, o bem geral, e não o bem só de alguns. É aquele que tem um compromisso ideológico firme. Não se deixa levar por falsas modernidades, sabe que a justiça é de sempre, não depende de modernismos. Conheci alguns, e conheço.
Sei o chão que piso, portanto sei que a minha posição em relação à politica e aos políticos, me traz repulsa e marginalização por parte de alguns pertencentes ao nosso Concelho, e não são tão poucos como isso… Pouco me interessa, vou repetir o que já escrevi dezenas de vezes: as pessoas não são parvas, apercebem-se perfeitamente que a alguns políticos não lhes interessa o bem delas, mas sim conquistar votos para governarem, e daí tirarem belos dividendos. Felizmente também há políticos éticos, e de uma dedicação esmerada ao serviço público.
Creio na política como um serviço público, e sou contra aqueles que se servem dela em benefício próprio.
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

ant.emidio@gmail.com

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