Antes de começar a escrever esta crónica, correspondendo a um desafio lançado pelo Zé Carlos e pelo Paulo Leitão, perguntei a alguns sabugalenses residentes na área da Grande Lisboa, as razões da fixação da sua residência neste região, e as condições necessárias ou suficientes para um regresso ao Sabugal.

José Manuel Monteiro - «Largo de Alcanizes»Não sendo significativo o número de pessoas contactadas para poder extrapolar, do ponto de vista estatístico, sobre esta matéria, penso que o meu conhecimento desta realidade, estando eu igualmente incluído nesta amostra, faz-me concluir o seguinte:
– A saída do concelho do Sabugal deu-se ou por motivos de prosseguir estudos superiores ou por motivos relacionados com emprego. Foram razões de empregos condignos e melhor remunerados que fizeram com que muitos conterrâneos nossos, nos anos 60 tivessem emigrado.
Educação e Emprego são assim as duas palavras essenciais para que as pessoas possam ficar na terra onde nasceram.
São hoje obrigatoriamente os pilares de qualquer estratégia de desenvolvimento do nosso concelho.
No âmbito da campanha eleitoral autárquica de 2009 a CDU apresentou o seu programa eleitoral que assentava em sete pontos, sendo o primeiro relacionado com a necessidade da criação de emprego.
Criar emprego pressupõe que o município defina áreas de actividades económicas privilegiadas e empregos a apoiar.
No nosso programa apontávamos essas áreas: A dinamização turística, a dinamização das potencialidades ligadas à cultura e à gastronomia, ao lazer e à população sénior eram e são segmentos por onde obrigatoriamente uma estratégia de desenvolvimento do concelho tem de passar. E avançámos com algumas dessas medidas, que aqui quero recordar:
Implementação de uma Rota dos Castelos, a reabilitação dos núcleos antigos tanto do Sabugal como das principais aldeias do concelho, o fomento do turismo rural e do turismo do lazer e saúde, a valorização da gastronomia local e a sua associação à rota dos castelos, não descorando o apoio ao comercio tradicional e o apoio a todos aqueles que pretendam instalar pequenos negócios com a criação do que chamamos «centro de partilha de recursos».
A entrada em funcionamento da Universidade da Beira Interior na Covilhã e o dinamismo que teve, e que hoje necessita de novo impulso, do Politécnico da Guarda, podem ser factores de sucesso para fixar população e contribuírem para que um número significativo de jovens do nosso concelho, não tenha necessidade de abandonar a região para continuar os seus estudos.
É por isso importante que existam protocolos entre o município e esses centros universitários, onde as empresas locais também estejam representadas ligados às questões da inovação, por exemplo, ou à possibilidade de estágios em unidades empresariais localizadas no concelho do Sabugal.
Evidentemente que a existência de boas infraestruturas, sejam elas rodoviárias ou equipamentos culturais e desportivos são um contributo para elevar o nível de vida de quem já reside no concelho. Não são porém factores de decisão para fixar residência.
Parece-me muito pouco credível que todos os que deixaram o Sabugal, voltem. Serão poucos os que regressam. Talvez alguns regressem quando se reformarem, outros nem isso. É por isso mais importante que as entidades competentes elejam como prioritário criar condições para que os que ainda residem no concelho aqui permaneçam.
Numa das crónica do João Aristides Duarte dizia não ter uma varinha de condão para poder parar a desertificação do nosso concelho. Eu também não a tenho, mas tenho uma certeza que volto aqui a reafirmar.

Qualquer estratégia de desenvolvimento do nosso concelho, passa pelo envolvimento e pela participação das suas gentes, pelos contributos individuais e ou colectivos dos que habitam no concelho, mas igualmente pelos contributos de todos os sabugalenses espalhados pelo país e pelo mundo.

«Largo de Alcanizes», opinião de José Manuel Monteiro
jose.m.monteiro@netcabo.pt

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