O futuro na cidade do Sabugal, despoletado neste Blogue merece, sem dúvida, a abertura de um debate sereno mas clarificador. Aqui deixo, telegraficamente, sete reflexões…

Ramiro Matos – «Sabugal Melhor»1.ª reflexão – A cidade do Sabugal não tem futuro, se o Concelho não tiver futuro, e o Concelho não terá futuro sem uma Cidade forte, desenvolvida e competitiva a nível regional. Isto é, o futuro da cidade do Sabugal joga-se na capacidade que tivermos de construir um território coeso que caminhe de uma forma homogénea rumo a um futuro melhor.
2.ª reflexão – Não há futuro para a cidade e para o Concelho do Sabugal na ausência de uma estratégia de desenvolvimento claramente definida, compreendida e aceite pelos sabugalenses.
3.ª reflexão – Não há futuro para a cidade e para o Concelho do Sabugal, sem entender este futuro na óptica do futuro da Região onde se insere e na capacidade de se tornar regionalmente competitivo.
4.ª reflexão – O futuro da cidade e do Concelho do Sabugal deve ainda ser entendida na sua integração em lógicas de desenvolvimento integrado com as «mancomunidads» fronteiriças espanholas, com destaque especial para as Mancomunidads de Alto Águeda e de Sierra de Gata, e com o Concelho de Penamacor, construindo uma nova centralidade regional transfronteiriça.
5.ª reflexão – O futuro da cidade do Sabugal deve passar também pela compreensão de que realidade urbana se fala. Venho defendendo que falar hoje da cidade do Sabugal, tal significa falar de um conjunto mais alargado do que os limites físicos actuais da freguesia, que abrange, pelo menos, as freguesias da Aldeia de Santo António e das Quintas de São Bartolomeu. E não falo em integrar estas freguesias no Sabugal, falo de uma nova entidade urbana que, na prática, já existe no terreno (basta pensar que uma parte do que hoje consideramos cidade do Sabugal pertence à freguesia de Aldeia de Santo António…).
6.ª reflexão – As soluções ganhadoras num Concelho ou numa Cidade não são exportáveis. Os portugueses têm muito o hábito de pensarem que «se deu além, então aqui também vai dar». Esta é uma armadilha a que devemos fugir, pois a nossa realidade é diferente da de Óbidos ou de Guimarães, ou de qualquer outra cidade dita «criativa». E a corrente das «cidades criativas» nem é uma panaceia universal, nem se aplica a todas as realidades… A criatividade está em, em cada momento, sermos capazes de definir os caminhos para uma cidade e um Concelho com futuro.
7.ª reflexão – Porque importante, uma cidade do Sabugal sem Centro histórico ocupado pelas pessoas não existe. Torna-se assim necessário definir medidas concretas que conduzam à preservação/reabilitação do Centro histórico da Cidade (e entendo aqui este Centro não só o que é limitado pelas muralhas mas igualmente todo aquele que vai entre estas e o Largo da Fonte), no entendimento de que tal só valerá a pena se for acompanhada pela criação de um espaço de qualidade habitado e vivo. E para isso o Município deve ter uma atitude pró-activa de, em conjunto com os proprietários, encontrar as formas de reabilitar o património edificado, incentivando, ao mesmo tempo, a fixação de novos moradores na zona.

ps. Para os que venham dizer que não apresentei propostas concretas, aconselho a leitura de uma parte significativa das crónicas que aqui escrevi nos últimos dois anos sobre o assunto e, porque nele me revejo, o Programa Eleitoral do Partido Socialista nas últimas eleições autárquicas.
«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos

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