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O Capeia Arraiana lançou-me o desafio e aqui está a minha perspectiva sobre o tema do presente e futuro do concelho de Sabugal.

Joao Aristides DuarteDevo referir desde já que não tenho nenhuma varinha de condão capaz de fazer parar a desertificação do concelho. Se a tivesse não estaria, com toda a certeza, a exercer a minha profissão de professor em Aguiar da Beira. Andaria por aí a proferir palestras por todo o país e, quiçá, no estrangeiro, sobre como estancar a hemorragia humana no Interior.
Concordo, por isso, com o Presidente da Câmara do Sabugal, quando na Assembleia Municipal, realizada em 29 de Dezembro de 2009, e em resposta a um longo «libelo» acusatório sobre as GOP’s e o Orçamento lido por dois deputados municipais eleitos pelo PS, referiu que não havia nenhuma varinha de condão que pusesse fim à desertificação. Refira-se a propósito que, apesar de o PS ter feito os maiores reparos ao Orçamento e às GOP’s acabou por se abster na votação sobre esses documentos, na Assembleia Municipal. Não deixaram, no entanto, estes deputados, de referir a crónica desertificação do concelho, mas não se lhes ouviu uma única ideia para a contrariar.
A desertificação do concelho (tema que é já recorrente em campanhas eleitorais há muito tempo, talvez desde o final dos anos 80, do século XX) não se combate na minha opinião, com a promoção da Capeia Arraiana a Património Imaterial da Humanidade. Posso ser bastante politicamente incorrecto, mas acho que as Capeias Arraianas são um divertimento com tradição, sem dúvida (com todas as virtudes que os divertimentos têm), mas não travam nenhuma desertificação do concelho do Sabugal. Aliás, acho até que esse divertimento já se está a descaracterizar com a presença das «moto-quatro», tractores e tudo o mais, nos encerros. Já li apelos de verdadeiros aficionados para que parem com esse «espectáculo» (dentro do próprio espectáculo) que são as «moto-quatro» a acelerar nos encerros. Não fui eu que escrevi isso. Considero, também, e poderei voltar a ser politicamente incorrecto que nas Capeias Arraianas não vejo turistas. Apesar de ver milhares e milhares de pessoas nos encerros e nas Capeias apercebo-me que são quase só pessoas da região. Como o concelho fica com o triplo da população no mês de Agosto é natural que se vejam muitas pessoas. Mas, se exceptuarmos alguns espanhóis das localidades fronteiriças (que vão logo embora, mal termina a tourada), não se vislumbram pessoas que venham de longe ver esta tradição. Talvez uma ou outra pessoa, mas sem qualquer significado.
A criação de infra-estruturas não é, por si só, sinónima de fim da desertificação humana no concelho de Sabugal. Mas quando se pergunta ao povo se quer ou não essas infra-estruturas, o mais certo é que diga que sim. Pode ser que algumas dessas infra-estruturas não tenham utilização, mas o povo quer que elas existam. Como explicar este fenómeno? Não sei explicar. Se alguém souber, que explique. Podia aqui dar um exemplo (um pouca a talhe de foice, embora não relacionado com o Sabugal): para que servem os submarinos comprados pelo Ministro da Defesa Paulo Portas, se ainda esta semana foi noticiado que os vendedores não estão a cumprir as contrapartidas acordadas? Quanto a mim, não servem para nada, mas o povo não pensa isso, tanto que, nas últimas eleições legislativas, premiou o partido de Paulo Portas em vez de o castigar. No entanto a recuperação das Termas do Cró, o empreendimento Ofélia Club, em Malcata, o Parque de Campismo ou o CNT (antiga Cristalina) no Soito, ao criarem postos de trabalho (como se espera) são infra-estruturas que merecem o meu apoio.
Varinha de CondãoOutra questão é de arranjar algo que nos identifique como povo e partir daí para a promoção do concelho, atraindo um número crescente de turistas que nos visitem, cá durmam e se alimentem. Isto é outro assunto. Estará aqui a descoberta da «pólvora». Resta saber o que se pode «vender» (detesto esta palavra, neste contexto, mas à falta de melhor…) aos turistas. Óbidos tem a Festa do Chocolate, Mora tem o Fluviário e o Entroncamento tem o Museu Ferroviário. Resta dizer que todas estas localidades estão perto de Lisboa, portanto a conversa é outra. Podem ir 200.000 pessoas à Feira do chocolate a Óbidos e voltar no mesmo dia para Lisboa. O Sabugal, tão longe de Lisboa, não tem esse privilégio. Podem dizer, também: e Seia, não tem o Museu do Pão, com milhares de visitantes? Tem, mas Seia fica pertinho da Serra da Estrela que os turistas sempre aproveitam para visitar, também.
Na minha perspectiva o único turismo de que o Sabugal poderá beneficiar será o turismo cultural. Foi isso mesmo que a CDU (que elegeu dois deputados municipais, o João Manata e eu próprio, na qualidade de independente) apresentou ao eleitorado, nas últimas autárquicas, no concelho de Sabugal, através do seu manifesto eleitoral onde se escreveu o seguinte:
«Fazer do Sabugal um pólo de atracção turístico, através da valorização do património natural e edificado, destacando-se: Implementação de uma Rota dos Castelos; Reabilitação dos núcleos históricos do Sabugal e principais aldeias do concelho; Fomento do turismo rural e turismo de lazer e saúde e Reabilitação dos moinhos existentes.
Valorizar e difundir a cultura e a gastronomia local, através de: Apoio às associações e agentes culturais; Recuperação, em colaboração com as escolas, da Gíria Quadrazenha; Constituição um pólo museológico do contrabando e da emigração, Valorização da gastronomia local em particular os enchidos, truta e cabrito e associá-la à Rota dos Castelos.»
Julgo que neste conjunto de propostas estará um bom ponto de partida para um Sabugal com (algum) futuro a nível turístico. No Verão até se poderá (aí sim) acrescentar a este conjunto de propostas uma passagem dos turistas pelas Capeias Arraianas, integrando-os nas Rotas anteriormente apresentadas. Nem todos gostarão, mas haverá sempre alguns que gostem. Penso, também, que a divulgação do concelho através dos grandes meios de comunicação social, poderá trazer alguma mais-valia ao concelho. Mas não tanta como se pode imaginar.
No entanto, termino como comecei, sem qualquer varinha de condão.
«Memória, Memórias…», opinião de João Aristides Duarte

akapunkrural@gmail.com

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Em princípios de Novembro de 2009, numa das crónicas aqui inseridas, escrevia que a gestão municipal deveria ser alicerçada numa projecto de «Gestão Pública Participada – gestão dos bens públicos de forma pública e participação dos cidadãos em todos os momentos cruciais da vida autárquica, nomeadamente na elaboração das Grandes Opções do Plano».

José Manuel Monteiro - «Largo de Alcanizes»Aproveito para recordar que na mesma crónica acrescentava e passo a citar «o que hoje os cidadãos reclamam, face à insatisfação e à falta de soluções apresentadas, tanto a nível nacional como local, é a necessidade de transparência das decisões políticas e do seu envolvimento no processo de decisão, ou seja uma mudança do modo de governação até agora praticado. É importante envolver as pessoas e ouvi-las». Acrescentava no final voltar a estes temas com a apresentação do Orçamento e Grandes Opções do Plano por parte da Câmara Municipal.
O que neste momento pretendo é voltar a esta temática e lançar um desafio. Desafio ao presidente da Câmara Municipal e executivo para envolver e discutir com as populações alguns dos projectos propostos e apresentados nas Grandes Opções do Plano 2010/2013 e a serem concretizados nos anos de 2011, 2012 e 2013.
E a título de exemplo aponto 3 projectos que considero ser útil envolver as pessoas, ouvi-las e acolher, caso se considere válido, as propostas que elas tenham. E o envolvimento pode passar por acções muito simples como a convocação de reuniões para a apresentação destes projectos. Com o envolvimento das populações todos ficam a ganhar. Os cidadãos que ficam a conhecer, antes da tomada da decisão, das pretensões do município. O município que vê assim cumprido um dos seus deveres, enquanto poder político, o de informar, e poder recolher contributos daqueles que vão usufruir desses equipamentos, muitas vezes pequenos contributos que os técnicos e políticos em gabinete não tiveram em consideração aquando da sua concepção. E esta metodologia de trabalho não põe em causa nem retira a responsabilidade aos técnicos, nem retira a responsabilidade política a quem tem que decidir avançar para a sua concretização. Muito pelo contrário faz uma partilha dessas responsabilidades.
Indico como disse 3 projectos que gostaria de ver discutidos: a sua concepção, a sua funcionalidade a sua exploração no caso de se aplicar:
«Construção de um açude para fruição turística e desportiva na área da albufeira do Sabugal» – com uma verba de 3,3 milhões de euros a ser realizado no ano (2012);
«Concelho do Sabugal em FO» – com lançamento do projecto no ano de 2010 e concretização em 2011 e uma afectação de 3 milhões de euros;
Casa da Música da Bendada – 600 mil euros previsto para 2011.

Contudo, e porque as Grandes Opções do Plano ainda apresentam folga para a concretização de outros projectos, nomeadamente nos anos de 2012 e 2013, e o executivo municipal não tem esses projectos, porque a tê-los seriam inscritos neste documento, pergunto porque não encetar no nosso concelho a implementação do Orçamento Participado?
Chamar as populações de cada freguesia a pronunciarem-se sobre as suas necessidades, discutir com elas a forma da sua resolução, aceitar os investimentos que técnica e financeiramente sejam viáveis é uma forma de aprofundar a democracia. É aproximar o cidadão do poder político, é partilhar decisões é credibilizar o poder autárquico.
E todos pensamos que a credibilização do poder político tem obrigatoriamente de ser feita.
Aqui fica o desafio.
«Largo de Alcanizes», opinião de José Manuel Monteiro

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