António Guterres, socialista, humanista, e homem de fortes e profundos valores morais, Alto Comissário das Nações Unidas para os refugiados, disse no Parlamento Europeu que o século XXI, será o século dos povos em movimento.

António EmidioEste repetido movimento dos povos, é uma constante da história universal, a procura de melhores condições de vida é a razão pela qual obriga à emigração dos povos dos países ditos pobres, para os países onde abunda a riqueza. Presentemente é ao que assistimos.
Os párias da Terra fogem à miséria existente nos seus países, e tentam a todo o transe entrar neste Ocidente, ainda rico. Não podemos esquecer querido leitor(a), que a fuga dos povos da América Latina para Espanha, da África e da Ásia para Portugal e resto da Europa, é o resultado da expropriação e saque das potências colonialistas que então dominavam o Mundo, e que durante séculos subjugaram esses povos. Infelizmente continuam a subjugar e explorar, mas agora de outra maneira, com o beneplácito dos governos corruptos desses estados.
Quer aceitemos este facto, ou não, o Mundo avança para uma miscigenação global de etnias, culturas, religiões e até civilizações. Isto traz conflitos inevitáveis, entre eles a xenofobia e o racismo. Mas aos racistas e xenófobos quero dizer-lhes que a chamada superior raça branca, um dia será uma minoria no meio de tantas outras, e possivelmente no meio de alguma maioria.
Nada pode deter a marcha da história, e nenhum tratado como o de Schengen, muro, arame farpado, polícias e exércitos, impedirão de chegar ao Ocidente os párias da Terra. Em solo imperial, os imigrantes ilegais, que se presume cheguem aos quinze milhões, já se manifestam nas ruas de Washington, gritando: «We are América».
Esta velha Europa, pensa «importar» vinte e cinco milhões de párias em idade de trabalhar, para substituir a perca de população activa, perca essa, devida a questões demográficas.
Não leitor(a), o Mundo Ocidental não foi o eleito para reger os destinos da humanidade, pensou isso o cristianismo, depois a ciência e a técnica. Todos se enganaram.
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

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