Roland Emmerich gosta de destruir o mundo. Tudo começou em 1996 com «Dia da Independência», um dos primeiros filmes com Will Smith no papel principal. Em 2009, partindo de uma profecia da civilização Maia, o realizador alemão volta ao seu tema preferido.

Pedro Miguel Fernandes - Série BLogo em 1996 Roland Emmerich mostrou ao que vinha. Em «Dia da Independência», um dos primeiros filmes com Will Smith no papel principal, o planeta Terra era invadido por extra-terrestres que destruíram tudo por onde passavam, com a ajuda de umas gigantescas naves espaciais que lançavam uns raios azuis. Em 2004 foi a vez de aproveitar as alterações climáticas para realizar «O Dia Depois de Amanhã» e uma vez mais o mundo sofreu às mãos de Roland Emmerich.
Para 2009 o pretexto é uma profecia da civilização Maia que nos diz que em 2012 uma conjugação celestial vai alinhar os planetas do sistema solar e destruir o planeta, tal como o conhecemos. «2012» é precisamente o nome do mais recente filme do alemão e uma vez mais não podemos esperar mais do que uma sessão de puro entretenimento.
2012Mas infelizmente não encontramos nestas duas horas e meio mais do que bons efeitos especiais que vão desde rachas a abrirem a Califórnia em milhares de pedaços passando pela destruição da Casa Branca por um porta-aviões ou um tsunami de proporções bíblicas a chegar ao Evereste.
O argumento de «2012» não tem muito por onde pegar, o facto de não se chegar a perceber bem o que aconteceu e como se resolveu também não ajuda, e um dos heróis principais, John Cusack no papel de um escritor falhado que tenta levar a família para as arcas que irão salvar os sobreviventes deste fim do mundo, também não dá muita credibilidade.
No meio desta destruição, há duas personagens que ficam bem na fotografia: um maluquinho das conspirações, interpretado por Woody Harrelson, e Danny Glover que encarna o papel de presidente dos EUA, numa figura bastante decalcada de Barack Obama. Além de ser negro, este presidente é bastante solidário e prefere estar junto do povo a tentar ajudar quem está a sofrer do que seguir com a sua administração para se salvar.
Felizmente que não cabe a Roland Emmerich decidir o futuro da Humanidade, pois se tal acontecesse estávamos tramados. Como filme «2012» não convence.
«Série B», opinião de Pedro Miguel Fernandes

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