A Catarina tem 4 anos e frequenta o Jardim de Infância, onde aprende, com as tarefas diárias, as regras básicas de convivência em sociedade.

João ValenteUma das tarefas, que exercita para os cargos públicos, consiste no desempenho rotativo do cargo de chefe, no qual tem que distribuir funções aos colegas, zelar pela arrumação e disciplina na sala e ser o braço direito da educadora. Um símbolo do cargo é uma cartolina ao eito, que o chefe exibe, lembrando aos outros a sua autoridade.
Há dias, cabendo-lhe a função de chefe, quando procedia, com auxílio de um quadro com fotografias, à chamada diária dos colegas, a Catarina saltou um dos meninos.
Corrigida pela educadora, saiu-se com esta:
– Toma – e tirando o colar, entregando-o à educadora – dá-o a outro menino, que está visto; eu não sei ser chefe!
Vem isto a propósito das «guerras de Alecrim e Manjerona» que se vivem na autarquia do Sabugal a propósito da nomeação da administração da empresa «Sabugal+».
Se os nossos políticos não sabem ultrapassar as quezílias pessoais a bem do interesse público, estas eleições foram mais um adiamento das soluções para o nosso concelho e nova hipoteca do futuro.
Como era bom que, copiando o exemplar desprendimento da pequena Catarina, dessem a vez a uma geração de novos políticos, para que estes tomassem verdadeiramente as rédeas do futuro do concelho.
O poder e ambição, cegam!
Para esta cegueira e falta de bom senso, só vejo uma solução:
Na Florença do séc. XIII, digladiavam-se pelo poder três facções políticas: os guelfos, os gibelinos, e, dentro destes, os brancos e os pretos. O povo farto de tanta guerra política, alterou a constituição, obrigando os membros do concelho a viverem juntos durante os seis meses do mandato, no palácio do governo. Em suma; encontraram uma forma engenhosa de punirem a ambição e falta de senso dos seus governantes.
Não se entende o presidente e a oposição? Que se apeiem pelos tornozelos uns aos outros como se faz quando se quer amansar o gado.
Dê-se pois ao presidente e a um dos vereadores de cada partido da oposição a administração da empresa municipal.
Os quatro anos de mandato, serão castigo suficiente para todos.
«Arroz com Todos», opinião de João Valente

joaovalenteadvogado@gmail.com

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