Intelectuais e artistas como Manuel António Pina, Eduardo Lourenço, José Saramago, Vasco Graça Moura, Siza Vieira, Carlos do Carmo, Ramos Rosa, José Rodrigues e Urbano Tavares Rodrigues dão contributos para um livro feito de retratos de Álvaro Cunhal.

O livro «Retratos de Álvaro Cunhal» foi ontem apresentado por António Borges Coelho, na Biblioteca Museu República e Resistência, em Lisboa. O mesmo resultou de um projecto do editor José da Cruz Santos, com arranjo gráfico de Armando Alves.
Quase meia centena de artistas e intelectuais aceitaram dar testemunhos que ficaram no livro. O escritor e jornalista sabugalense Manuel António Pina foi um dos apresentaram o seu testemunho acerca do falecido líder comunista.
«Um homem tem três metros de altura», é o título do texto de Pina, numa evocação de um filme de Martin Ritt sobre o tamanho da dignidade. No testemunho afirma ter partilhado algumas das convicções de Cunhal e ter discordado de muitas outras, ao ponto de não terem estado do mesmo lado sem que estivessem em lados opostos.
Manuel António Pina confessa que se a sua admiração por Álvaro Cunhal o conduz facilmente à melancolia, e a «desejar absurdamente que homens assim, do mesmo intransigente tamanho por fora e por dentro, renasçam, seja lá de que lado for».
José Saramago, por sua vez, diz que ocasionalmente «não esteve de acordo com o secretário-geral que ele foi, e disse-lho. A esta distância, porém, já tudo parece esfumar-se, até as razões com que, sem resultado que se visse, nos pretendíamos convencer um ao outro. O mundo seguiu o seu caminho e deixou-nos para trás», registou o Nobel da Literatura, que também é militante comunista.
Já o ensaísta Eduardo Lourenço escreveu um texto intitulado «A Morte de um Comunista», onde evoca o funeral do velho secretário geral do PCP, para recordar que Álvaro Cunhal apreciaria pouco que se falasse da sua morte nos termos publicitários que a imprensa reserva aos grandes deste mundo. Era esse o ideário de Cunhal, «que lhe exigiu o sacrifício do seu destino meramente individual» em defesa «dos interesses de uma condição e de uma classe que não eram as suas, mas com as quais se iria identificar totalmente» – a classe operária.
O livro inclui também poemas de alguns autores, como Manuel Gusmão, Maria Teresa Horta e Y.K. Centeno. Também contém uma fotografia de Eduardo Gageiro e retratos de diversos artistas.
plb

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