«Nada há mais poderoso na sociedade que uma ideia à qual chegou o seu tempo», Victor Hugo.

António EmidioE chegou o momento do neoliberalismo, o momento do controlo do poder económico sobre todos os outros aspectos da vida humana. Vou transcrever umas linhas retiradas de uma revista de política e cultura, enfeudada ao sistema imperante: «…uma política da consciência, depois da era ideológica. A política das pessoas e para as pessoas…», ou seja, o desaparecimento da ideologia, o ressurgimento do Laissez Faire.
Creio firmemente que esta maneira de pensar e agir, do poder económico, vai originar um retrocesso social, político e cultural. Isso é notório na actual crise, não só económica, mas também de valores. As próprias campanhas eleitorais só apelam à emoção dos cidadãos, e não à razão. Os políticos são feitos pela comunicação social e pelo Marketing, são lançados para o mercado como qualquer produto de limpeza.
Leia, querido leitor(a) esta pequena noticia de um jornal, durante a campanha eleitoral de Rodrigues Zapatero – primeiro ministro espanhol do PSOE – «É uma estratégia cem por cento publicitária. Vamos vender Zapatero como uma Coca-Cola ou um modelo Dulce & Gabbana». Assim falou um senhor chamado Juan Luís Bastos, responsável da campanha eleitoral.
As ideologias são sistemas de ideias e conceitos onde os partidos políticos, e até as forças sociais dão expressão à sua concepção do Mundo. Ter ideologia é ter princípios e orientar-se por eles, uma pessoa com ideologia significa que para ele, não vale tudo, e nem tudo é permitido.
Surgiu uma força vencedora como no princípio referi, o neoliberalismo, que cada vez se afasta mais da dimensão politica, social e moral da economia, baseia-se única e simplesmente numa coisa assaz baixa e desprezível: o Espírito do Lucro. Não no lucro, esse sempre existiu e existe. O leitor(a) se tiver um negócio só pode viver mediante o lucro normal que daí conseguir, o lucro é honesto quando não prejudica ninguém. O que já não acontece com os bancos, multinacionais e macro empresas. O lucro destes é proporcional à miséria, à pobreza, à fome, ao desemprego, à guerra, e à destruição do meio ambiente. Esmagam tudo o que se oponha ao seu livre desenvolvimento, e não se coíbem de dizer que o que é bom para eles, é bom para a humanidade.
Sabe leitor(a) quem é que presentemente representa os interesses globais do neoliberalismo? É a pseudo esquerda liberal, cuja cabeça bem visível foi Tony Blair, e agora continua com, Sócrates e Zapatero, entre outros.
Os governos ditos socialistas já abandonaram a ideologia socialista há muito tempo, agora a grande luta deles é suplantarem a direita na maneira de gerir o capitalismo. São uma bênção para os poderosos oligarcas na hora de desactivar os protestos e conseguir paz social nos momentos de crise.
Está aqui a resposta à pergunta que tanto português fez depois das últimas eleições legislativas. Porque é que o Partido Socialista de José Sócrates voltou a ganhar, se ele foi, e é tão contestado? Porque está aliado aos grandes oligarcas (principalmente os que controlam a comunicação social), e neste momento de crise consegue desactivar protestos e fomentar a paz social, controlando as bases, sendo ele o partido socialista mais à direita e conservador (neoliberal) da Europa. Destruiu as conquistas sociais obtidas a partir de 1974, e é um fiel Atlantista, seguidor do capitalismo dos Estados Unidos. Atrevo-me até a dizer: um bom discípulo de Ronald Reagan, o Guru do neoliberalismo e da destruição do Estado Social.
Enfim, uma aberração ideológica.
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

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