Matt Damon é a grande estrela de «Delator!», o novo filme de Steven Soderbergh, um dos realizadores norte-americanos mais originais da actualidade, capaz de filmar obras de puro entretenimento, como a série Ocean, e obras mais experimentalistas, como Full Frontal.

Pedro Miguel Fernandes - Série B«Delator!» pode ser considerado uma mistura entre ambos os tipos de filmes que popularizaram a obra de Soderbergh. Por um lado tem um actor bastante popular, Matt Damon, numa história simples de um funcionário de uma grande companhia multinacional que decide tornar-se informador do FBI. Mas aqui tudo se complica, pois a personagem interpretada pelo actor que em tempos encarnou o célebre Jason Bourne, tem a característica de ser mentiroso compulsivo e ter um comportamento bipolar, o que não facilita a tarefa. Não só às restantes personagens, que quando se começam a aperceber na teia em que estão metidos passam o resto do filme à espera do próximo coelho a sair da cartola de Mark Whitacre, como ao próprio espectador, que ‘ouve’ o que vai na cabeça do funcionário, algumas vezes a meio de diálogos com outras personagens. E estas vozes que se ouvem na cabeça do actor, muitas vezes são reflexões avulsas, que pouco ou nada têm a ver com o que se passa no resto da história.
«Delator!»E à medida que a história vai avançando, a personagem principal continua a enredar-se numa confusão de mentiras gigantesca, que não deixa ninguém de fora, desde a família aos seus colegas de trabalho, passando pelos próprios agentes do FBI, que a principio o aceitam como informador, mas acabam por se arrepender quando se apercebem o que se passa.
No fundo, é curioso ver Steven Soderbergh realizar um filme que aborda, de certa forma, a temática do capitalismo (o filme começa praticamente com Matt Damon a querer ser informador do FBI para contar uma suposta concertação de preços entre a sua empresa e empresas rivais), logo depois de ter feito um excelente olhar sobre a figura de Che Guevara, nos dois anteriores filmes Che – O Argentino e Che – Guerrilha.
«Série B», opinião de Pedro Miguel Fernandes

pedrompfernandes@sapo.pt

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