Li o que escreveu Joaquim Portas («Cinco Quinas») a propósito dos resultados eleitorais. Foi uma análise amarga e com sabor a ajuste de contas com o engenheiro Morgado, que só desabona a quem a fez.

João ValenteVeio Joaquim Portas das brumas do passado para nos dizer que «no concelho do Sabugal, mais do que o Partido Socialista […], o grande derrotado na noite do dia 11 de Outubro, chama-se, António Morgado.»
E referindo-se depois a este, diz que «ao trair os seus eleitores e sobretudo aqueles que o ajudaram […] deixou cair a máscara e revelou o lado mais sinistro da sua personalidade.»
Para abrir o jogo confessando que «sempre pensou que António Morgado era um balão que qualquer alfinete podia esvaziar» e que com esta derrota eleitoral «o balão encheu tanto que rebentou. O seu problema não é político nem de política, o seu problema é de carácter.»
E numa estocada à falsa fé, conclui que quem conhece o percurso do engenheiro Morgado «sabe que a sua carreira política foi sempre baseada em pequenas ou grandes traições» E enterrando a espada até ao punho pergunta se «alguém duvida que ele foi o Presidente da Câmara Municipal do Sabugal que mais se serviu do concelho e da Autarquia para satisfazer os seus caprichos e interesses pessoais e familiares».
Este artigo, que nem me atrevo a comentar pela sua cobardia, fez-me lembrar uma fábula de Esopo que me obrigaram a ler em latim na juventude para ajudar a moldar o carácter e que rezava mais ou menos assim:
De velho e enfermo jazia moribundo um leão que, em moço, havia sido o terror das brenhas.
Apareceu um javali, e, para vingar-se da antiga injúria, deu-lhe com o focinho, e foi-se; após o javali veio um touro; seguiram-se outros animais e cada qual se desforrava a seu modo. O leão sofria calado.
Veio por fim um burro, e deu-lhe um coice; o leão não pode conter-se:
Até aqui sofri resignado – disse – e a quantos insultos recebia opunha a lembrança do que tinha sido outrora, quando até do meu rugido todos esses tremiam; mas agora tu também, tu miserável burro!… Isto é morrer duas vezes!
A Moralidade é a seguinte: Quando a desgraça acomete um homem, não falta quem venha com ele ajustar contas: o homem nobre e infeliz tudo sofre resignado; há porém burro tão burro e tão vil, que torna impossível a resignação.
«Arroz com Todos», opinião de João Valente

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