Esse supremo bem que é a verdade, cada vez se encontra mais só, mais abandonada, como se fosse um vírus maléfico. No tempo presente, o homem procura-a, mas onde? No êxito, no poder, no dinheiro, na fama, aí é que ela não pode estar, nesses sítios predomina a mentira a hipocrisia e o cinismo.

António EmidioSe a verdade está ausente, quem veio ocupar o lugar que lhe pertence? Os espertos, os politicamente correctos, o poder político, o poder económico e o poder mediático, que fazem passar por verdade total e absoluta, os seus próprios interesses. Quem não sabe o que é a publicidade? Quem nunca assistiu a uma campanha eleitoral? O que nos mentem! Fazendo passar todas as mentiras por verdades supremas, e o mais interessante é que a maioria das pessoas acredita.
Mas se alguém se atrever a dizer ao poder económico, mediático e político, que a verdade é um valor universal, e não propriedade particular de ninguém, sujeita-se a ser ridicularizado pelos que identificam o seu poder com a verdade.
Liberdade? Na constituição e nos Decretos, quanta quisermos, mas só para aqueles que não ponham em causa a legitimidade do sistema, porque os que põem em causa essa tal legitimidade, espera-os o desterro interior, e essa lei do silêncio que é a censura. Esta nova censura, não tem nada a ver com a das ditaduras, é muito mais eficaz, e feita com uma subtileza fantástica: negar a palavra sem a proibir.
Fixemo-nos neste nosso rectângulo que é Portugal: os que nós elegemos, os que nos governam, fazem-no a favor do bem comum, da justiça social, da concórdia, da amizade, da confiança no futuro, da paz e da felicidade da maioria? A verdade é inseparável destes valores, por isso ela está ausente, e sem ela, há medo e ausência de felicidade.
Para finalizar o artigo, querido leito(a), quero dizer-lhe o seguinte: afrontar o sistema estabelecido leva mais tarde ou mais cedo ao desterro interior, que não é mais nem menos do que uma solidão, é das coisas que mais dói.
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

ant.emidio@gmail.com

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