Já aqui falei do fantástico filme «Up», realizado pela fábrica de animação digital Pixar. Por estes dias esteve em sala mais um grande filme de animação, desta vez criada pelo mestre japonês Hayao Miyazaki, autor dos já clássicos «Castelo Andante» ou «A Viagem de Chihiro».

Pedro Miguel Fernandes - Série BO filme de que falo é «Ponyo à Beira-Mar», uma bela história para crianças que não deixa de tocar os adultos. Ao contrário de outro tipo de animação made in Japan, como a muito popular Manga, este é um filme mais tradicional, muito semelhante ao que os clássicos da Disney geralmente eram há algumas décadas atrás, antes da chegada em força da animação digital.
Hayo Miyazaki é um purista. Começou ainda nos idos anos 1970, quando foi autor da série «Conan o Rapaz do Futuro», que não tive oportunidade de ver, mas conheço algumas pessoas que cresceram a vê-lo na televisão, quando as escolhas eram menos do que as que há actualmente, e todas me falam de uma série que as marcou.
O realizador japonês optou por sempre fazer os seus trabalhos sem recorrer ao digital, ou utilizando muito pouco as tecnologias, para trazer grandes filmes que permitem sonhar com mundos fantásticos onde tudo pode acontecer.
Ponyo à Beira-MarMas se nos seus filmes anteriores, como os já citados «Castelo Andante» ou «A Viagem de Chihiro», o fantástico pertence ao um mundo muito próprio, em «Ponyo à Beira Mar» o fantástico alia-se à nossa realidade. Este é um filme sobre um peixe, filho de feiticeiros humanos, que se transforma numa menina para se tornar humana. É nesta condição que trava conhecimento com um rapaz, Sosuke, que será o seu protector e companheiro até um final, que supomos será feliz. Não o chegamos a saber porque o final fica em aberto.
Comparando com o filme «Up», este é mais um filme de animação que prova que ainda há espaço para nos fazer sonhar com histórias bastante simples. Em ambos os casos, consegui reviver um pouco a minha infância.
«Série B», opinião de Pedro Miguel Fernandes

pedrompfernandes@sapo.pt

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