Recomeçaram as aulas, já se vêem os jovens a passear pela cidade em grupos, irem até aos cafés, fazerem algumas compras nos comércios, enfim, há um pouco mais de movimento. Mas também se vêem mais coisas que não deviam ver-se, e isto agrava-se de ano para ano.

António EmidioKant dizia que o Homem só chega a ser Homem através da educação. Hoje, infelizmente, estamos muito longe desse pensamento. A sociedade permissiva, a nossa em que vivemos, não permite um mínimo de disciplina na educação, essa disciplina é necessária para a formação de qualquer pessoa. Se não houver esse mínimo estamos a criar meninos e meninas mimados, que fazem o que querem e que no futuro estão dominados pelos seus instintos mais primitivos.
Os jovens não aceitam muito esta sociedade, mas em vez de lutarem por uma melhor, como o fizeram muitos, ao longo da história, autênticos rebeldes que chegaram a dar a vida pela justiça, pela paz e pela liberdade, viram-se para o consumismo, para o hedonismo, e para toda uma série de vícios que o sistema lhes incute. São o aliado número um da ordem vigente, mas esta trata-os bem mal, condena-os ao desemprego, ao trabalho precário, a horários de trabalho infindáveis, e a salários de miséria. Nunca ninguém os viu dirigir as suas frustrações contra empresários e políticos. Viram-se contra os professores, os pais, os seus companheiros, e as pessoas mais velhas. Enquanto não mudarmos tudo, desde o sistema económico até à educação, esta sociedade não pode ter bom fim.
Os «politicamente correctos» ao lerem isto, dirão que eu sou um amante da moral repressiva e de um autoritarismo à Estado Novo. A esses queria perguntar o seguinte: como reagiriam se fossem professores ou contínuos, e se um aluno ou pai de aluno, numa atitude incivilizada, própria de pessoas sem escrúpulos morais vos insultasse ou agredisse? Com magnanimidade e tolerância? Duvido…
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

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