Levou-me a escrever este artigo, uma crónica que aqui li no «Capeia Arraiana» da semana passada, que se intitulava – Hoje destacamos…Jornal de negócios – e que falava num pequeno parágrafo, de Portugal e o que as suas elites políticas fizeram ao interior. Também me motivou a escrever sobre este assunto, uns momentos que passei aqui no cemitério da cidade junto ao túmulo de um homem que pertenceu à velha aristocracia deste Concelho, e que foi um Democrata e Humanista.

António EmidioAo chamar aristocracia a uma classe social que no arco temporal que vai desde a implantação da República até Abril de 1974, fez história na cultura, na política e na sociedade do Concelho do Sabugal, tem um significado, talento e distinção. Eram ricos, tinham poder, zelavam pelos seus interesses. O povo respeitava-os, e respeitava-os não só pelo poder que tinham, mas ao possuírem uma série de valores que irradiavam para a sociedade, levavam esta a imitá-los. Entendiam por progresso, não só a parte material, mas também o aperfeiçoamento humano, moral e intelectual.
E agora? O que é a nova elite? Salvo excepções, que felizmente existem, é um reflexo desta medíocre época histórica que vivemos. Individualismo exacerbado e hedonismo parolo, adora conquistar troféus, sejam eles de que índole sejam, para depois os mostrar nesta feira de vaidades que é a sociedade actual. Poder, dinheiro, êxito, fama, caem no ridículo e na imoralidade para conseguirem estes pseudo valores. Elevaram o seu insignificante Ego à categoria do Absoluto. Perigosos (as)! A sua maior aspiração é que as pessoas um dia se prostrem perante eles (as) para os poderem humilhar.
A Democracia, em vez de lhes incutir tolerância, respeito e solidariedade para com o seu semelhante, incutiu-lhes ambição de poder, por isso, muitos se dedicaram, e dedicam à política. Esta, transformou-se num trampolim para o que a maior parte persegue, repito! Há excepções felizmente, e que já mencionei, poder, dinheiro, êxito e fama. A dança da mudança de partido cada quatro anos é um exemplo flagrante. Nem se apercebem dos danos que causam à Democracia… O que é que o povo fica a pensar da Democracia e dos políticos, ao vê-los hoje defender o partido A contra o partido B, e daqui a quatro anos defender o partido B contra o partido A? Uma das razões do desinteresse pela política, e a diminuição da percentagem de pessoas que vai às urnas, radica neste facto, também.
Pode assim funcionar um País? Um Concelho? Muito dificilmente.
Leitor (a), o avanço de uma sociedade não significa só o avanço material, este não pode ser gerador de bem-estar, e de justiça para todos, quando os valores das elites políticas forem baixos.
As grandes mudanças históricas foram sempre de ordem espiritual, saíram da alma do homem. Vamos todos, «os de baixo», lutar para uma mudança radical, uma ruptura com o sistema. Não podemos lutar isoladamente, o que luta isoladamente é facilmente marginalizado e silenciado. Só a união faz a força.
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

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