Os visitantes da Aldeia Histórica de Sortelha podem admirar, até 15 de Setembro, a colecção de tapeçaria, bordados e linhos artesanais locais exposta ao público na galeria da sortelhense Gorete Moreira.

Gorete MoreiraA Aldeia Histórica de Sortelha tem sempre novos motivos para surpreender os visitantes.
No largo principal – depois de passar a imponente portada milhares de vezes fotografada – as eternas senhoras do artesanato e dos cestos de bracejo ajudam a compor o cenário cinematográfico. «Umas das casas é propriedade da empresa de filmes que costuma vir fazer anúncios em Sortelha», desvenda Luís Paulo, presidente da Junta de Freguesia de Sortelha.
A rua empedrada sempre a subir que leva ao pelourinho junto à entrada para o castelo e à sede da Junta de Freguesia da Aldeia Histórica de Sortelha aconselha a passadas lentas com sapatilhas. Para trás ficam umas quantas casas antigas com ar de abandonadas. «Temos empresários interessados em arrendar ou comprar as casas para abrir lojas de presuntos, enchidos e artesanato mas devido a um problema de heranças que se arrasta há quase 20 anos estão a ficar cada vez mais deterioradas», esclarece com ar resignado Luís Paulo.
Ao virar da esquina uma porta aberta descobre tapeçarias penduradas nas paredes que convidam os passantes a entrar para uma sala luminosa com muitas janelas entremeadas com tapetes. E qual deles o mais belo!
A Exposição de Tapeçarias e Bordados de Sortelha 2009 é da responsabilidade da sortelhense Gorete Moreira que reuniu um conjunto de peças em tapetes, linhos artesanais e bordados de artesãos locais.
«São peças únicas», começou por nos dizer Gorete Moreira. Um pouco surpreendida com o nosso interesse lá foi desvendando os seus «segredos». «Estão expostas 70 peças com desenhos originais e trabalhos por encomenda. A tapeçaria tem influências das ilustrações do Livro das Horas de D. Duarte e os bordados são feitos sob linho antigo com seda natural. A tapeçaria executada em ponto teia é original de Sortelha. Os desenhos são bordados a ponto pé-de-flor e ponto cadeia em lã natural», explica com «textura científica» a artesã.
«Estive à frente do atelier do Centro Internacional de Tapete (com mais de 25 anos de existência) aqui em Sortelha. Chegámos a ter nove pessoas a trabalhar. Fizemos trabalhos para Portugal, Espanha, França, Brasil e Canadá. Mas têm faltado os incentivos», lamenta Gorete Moreira em tom de desabafo.
Contudo encara a vida com uma filosofia positiva. «Sou uma pessoa de iniciativa sem estar à espera dos outros mas sei que a maioria das pessoas de Sortelha e do concelho do Sabugal não sabe o trabalho que desenvolvo. Estou grata aos que acreditaram e apoiaram o meu trabalho e aceito bem as críticas desde que sejam construtivas. Respeito a opinião dos outros mas considero que Portugal ainda continua à espera de D. Sebastião.»
E aproveita os tempos eleitorais para dar a sua opinião de cidadã considerando que «luta para ajudar os que devem falar» porque como leu num artigo da revista «Visão» «ser honesto e dizer a verdade na sociedade em que hoje vivemos é como dar um tiro de espingarda dentro de uma igreja».
«Sou voluntária para qualquer causa que ajude no desenvolvimento de Sortelha e do concelho», diz a finalizar Gorete Moreira.

Sortelha – Para marcar na agenda:
– «Sortearte», de Gorete Moreira. Manufactura de tapeçaria e tapetes, restauro de tapeçarias, artesanato e velharias. Telefone: 271388544.
– Loja de artesanato do Campanário.
– Casas de Turismo Rural do Campanário.

Cestos de bracejo. O bracejo é uma planta que é utilizada no fabrico de diversos artefactos usados no dia-a-dia; como por exemplo os cestos de bracejo e as vassouras de bracejo. Os cestos são feitos todos em bracejo e á base de entrelaçado. A partir da técnica, formam-se tranças, com as quais se produzem objectos, dependentes do gosto e criatividade das pessoas.
jcl

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