«Um conflito armado entre nações horroriza-nos. Mas a guerra económica não é melhor que um conflito armado (…). Uma guerra económica é uma tortura prolongada. E os seus estragos não são menos terríveis que aqueles descritos na literatura da guerra propriamente dita». M.K. Gandhi.

António EmidioPerguntaram-me, porque dizem que dei a entender no meu artigo, «Portugal e Espanha – fragmentos do passado», que não estamos livres de uma ditadura idêntica à de Salazar/Caetano, como é possível?
Leitor(a), Salazar, Caetano, O Estado Novo, o Império Colonial, Deus, Pátria, Autoridade, já não voltam mais, pertencem ao cemitério da história.
Esta sociedade, a liberal, ou modernamente neoliberal, foi no princípio uma sociedade baseada na liberdade e contra o absolutismo, no respeito e na dignidade humana. Presentemente, não só em Portugal, mas na esmagadora maioria dos países do Mundo, é o regime político-económico imperante, tornou-se sinónimo de corrupção, guerra, exploração do homem pelo homem, destruição do meio ambiente, luta de todos contra todos, medo e aniquilamento de valores que toda a vida o homem conheceu e respeitou. A actual fase histórica que nos está a tocar viver, caracteriza-se pela preponderância da economia sobre qualquer outro valor inerente à condição humana. A única meta deste sistema é o lucro das empresas. O homem passou a ser uma peça de uma engrenagem económica.
O progresso, a modernidade, a tecnologia, a ciência, têm por um lado a capacidade de nos libertar, mas têm por outro o perigo da opressão, do autoritarismo e da ditadura. O momento em que o homem atingiu historicamente o seu máximo de tecnologia e ciência, antes dos dias de hoje, claro, foi durante a Segunda Guerra Mundial, o que aconteceu? Campos de extermínio como Auschwitz e os gulags russos, crimes monstruosos como Hirochima e Nagasaki.
A presente democracia, é uma democracia formal, eu pessoalmente sinto que a minha liberdade é uma coisa abstracta. É-me dada a liberdade de escolha cada quatro anos, mas o pensamento e a acção governativa dos escolhidos, difere na forma, não no conteúdo. Temos alternância, mas não temos alternativa. É o que se chama o pensamento único. O caminho mais directo para o autoritarismo e a ditadura.
Os governos (Estados) são cada vez mais autoritários, nós portugueses temos, infelizmente, um exemplo flagrante, no actual governo dito socialista de José Sócrates. Vamos avivar a memória de alguns leitores(as):
23 de Novembro de 2006, passeio de descontentamento de militares no Rossio, foram identificados dezenas deles, 12 levaram processos disciplinares, e um cumpriu uma pena na íntegra.
2 de Março de 2007, soldados da Guarda Nacional Republicana entraram nas instalações da Câmara de Avis, para identificar e listar o número dos funcionários dessa Câmara que iriam participar na Acção Nacional, convocada pela CGTP, com o lema «Juntos por uma mudança de políticas».
8 de Outubro de 2007, dois agentes da polícia entraram na sede do Sindicato dos Professores da Região Centro na Covilhã, como não havia qualquer dirigente, porque estavam em actividade, levaram com eles dois documentos de informação.
Ficamos por aqui em matéria policial, há um pormenor que as pessoas conhecem, mas ao mesmo tempo desconhecem o seu objectivo. A arrogância. A arrogância é um instrumento mediante o qual se molda o povo ao governo (Estado), é um instrumento de submissão e obediência, é a condição sócio-psicológica do totalitarismo, é o poder na sua forma mais crua.
Repito, os governos e os estados estão cada vez mais autoritários, cada vez nos vigiam mais com Câmaras de vídeo, escutas telefónicas e interferências nos e-mails. O mesmo acontece com os nossos dados pessoais, conhecem as nossas contas bancárias, as dividas ou não, ao fisco (do cidadão comum), a nossa ideologia, a nossa religião, e até a tendência sexual.
Já não há presos políticos, os que denunciam tudo isto, e se revoltam, silenciam-nos, retiram-nos das tribunas públicas e dos meios de comunicação ao serviço do sistema.
Autoritarismo ou Democracia? Tudo depende de nós. Se não nos mobilizarmos, a ditadura da economia vai tornar-se uma realidade bem brutal. O grande capital, reprime quando se vê ameaçado, e utiliza a violência para se defender.
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

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