O acesso a água potável é um direito humano fundamental, não um negócio.

António EmidioVou começar este artigo com umas palavras de Miguel d`Escoto Brockman, Presidente da Assembleia Geral das Nações Unidas: «… A água é um bem natural, comum, essencial e insubstituível, todos têm direito ao seu acesso independentemente dos custos com a sua captação, reserva, purificação e distribuição, que serão assumidos pelo poder público e pela sociedade. Por isso, preocupa-nos enormemente o afã de privatizá-la e transformá-la em mercadoria, com a qual, sem dúvida, se pode ganhar muito dinheiro. A água é vida, e a vida é sagrada, não é objecto de lucro. Esta Assembleia quer apoiar os esforços para chegar a um Pacto Internacional da Água, com uma gestão colectiva para garantir a todos, este bem tão vital…».
Também a assessora do Presidente da Câmara de Paris, a senhora Anne Le Strat, remunicipalizou a gestão da água nessa cidade. Disse, que enquanto o sistema foi misto, os consumidores tinham subidas na tarifa da água, à volta de 2,5% anualmente, no ano em que não se renovou o contrato com as empresas privadas, Paris poupou 30 milhões de euros.
O neliberalismo imperante vê a água como um recurso exclusivamente económico, por isso, os governos neoliberais, entre eles o português do dito socialista José Sócrates, permitem, através de leis, que a água seja objecto de lucro para capitalistas e grandes accionistas, que a vão gerindo através de empresas privadas. Estes, a primeira coisa que fazem é aumentar o preço das tarifas e afastar os cidadãos de qualquer decisão. Resulta também daqui um desvirtuamento da Democracia, a quem me vou queixar se um dia tiver um problema? À empresa? Ao director da empresa? Ao accionista? Onde estão? Quem são? Nem eu, nem nenhum cidadão votámos neles! Até podem dizer que não nos devem satisfações!
Levou-me a escrever este artigo, uma discussão a que assisti entre dois munícipes, devido a problemas de abastecimento de água. Como é natural, surgiu o nome da empresa que gere a água do Concelho do Sabugal, Águas do Zêzere e Côa. Vim posteriormente a saber que esta empresa recebe atempadamente da Câmara Municipal do Sabugal, o dobro do dinheiro que os munícipes pagam da factura da água, e ainda muito mais, retribuindo com um serviço de pouca qualidade, na questão da manutenção, e no fornecimento de água em quantidade para algumas aldeias, não tendo em conta o aumento da população durante este mês de Agosto. A prioridade desta empresa é o lucro, como tal, acredito que não tenha um quadro suficiente de trabalhadores para responder à acção que dela se exige.
Deixava um pedido ao executivo que sair das próximas eleições autárquicas, rompam com os dogmas do neoliberalismo e remunicipalizem a água.
A prioridade de um organismo público é servir os utentes e não os directores, presidentes e accionistas, como o fazem as empresas privadas.
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

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