Estreou por estes dias o último filme de Jim Jarmusch, um dos mais conhecidos realizadores independentes norte-americanos. Desta vez o enredo gira à volta de um assassino profissional com um código de ética muito original.

Pedro Miguel Fernandes - Série B«Os Limites do Controlo» é a mais recente aventura realizada por Jim Jarmusch, realizador responsável por filmes como «Broken Flowers», «Ghost Dog» ou «Dead Man». Tal como na sua obra mais recente, este «Os Limites do Controlo» é algo minimalista. Passado em Espanha, em cidades como Madrid ou Sevilha, os diálogos foram reduzidos ao básico e praticamente são as personagens secundárias, interpretadas por grandes actores (Tilda Swinton, Gael Garcia Bernal ou John Hurt, só para citar alguns exemplos), que fazem avançar a acção.
Outro dos pormenores curiosos desta obra é que ninguém tem nome, ou seja, todos são conhecidos pelo que representam no filme. Isto faz com que o assassino profissional, interpretado por Isaach De Bankolé, seja conhecido por Lone Man (o homem solitário) e outras personagens sejam conhecidas por nomes como guitarra, moléculas ou mexicano, consoante o seu papel em todo o filme.
«Os limites do controloAo longo do filme vamos acompanhando o trabalho do solitário, que tem de ir interagindo com as restantes personagens, que lhe dão mensagens misteriosas que o levam ao alvo a abater. Tal como foi referido, praticamente são estes secundários que vão falando, ao personagem principal cabe apenas o papel de decifrar as estranhas mensagens.
Um dos grandes destaques de «Os Limites do Controlo» é a banda sonora, que tal como a própria fita, é bastante simples, acompanhando a personagem principal de forma bastante sóbria.
Foi uma boa surpresa ver esta obra de Jim Jarmusch, um dos realizadores dos EUA mais originais no panorama actual do cinema norte-americano, estrear em Portugal. Só é pena que faça tão poucos filmes, pois os cinéfilos só ficariam a ganhar com a sua obra.
«Série B», opinião de Pedro Miguel Fernandes

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