Li num jornal que o líder do PSD-Madeira, Alberto João Jardim, quer que se proíba constitucionalmente o comunismo. Ao vir de quem vem a proposta, não é de levar muito a sério, todos nós portugueses sabemos que ele governa há muitos e muitos anos, numa ilha onde há uma grande produção de bananas, e é um político com uma acentuada personalidade folclórica.

António EmidioMas o pior de tudo, é que ele diz em voz alta o que muitos pensam em silêncio. Há uma explicação para isto tudo. O sistema, o neoliberalismo, agita o espantalho do totalitarismo, seja ele de esquerda, ou de direita, para criminalizar qualquer atitude de revolta, e até de descontentamento, o que acontece presentemente.
Quer fazer-nos ver também, que fora da «democracia neoliberal» só há regimes tirânicos. Mas se por acaso se abrir a janela das proibições e perseguições políticas, nem que seja só uma pequena fisga, o ar gelado da idade das trevas e da intolerância vão encher toda a casa. Se tivermos que proibir, que sejam crimes, nunca ideias.
O gulag estava no pensamento de Marx? A inquisição estava no pensamento de Cristo? O terrorismo está no Corão? O gulag foi obra de intolerantes e fanáticos, o terrorismo islâmico é obra de intolerantes e fanáticos, a inquisição foi obra de intolerantes e fanáticos. E os crimes que se cometeram e cometem em nome da Democracia? O que vão pensar dela aqueles povos que foram invadidos e massacrados, e ainda estão a sê-lo, em nome da Democracia e da Liberdade? E será que a Democracia é um regime tirânico? Não é o mais perfeito dos regimes políticos? Não é tolerante?
Já Mahatema Gandhi dizia dos que andavam a «democratizar»: Que lhes importa os mortos, os órfãos, e os que perderam as casas? Se a destruição sem sentido se levar a cabo no santo nome da liberdade e da democracia?
O ideal de Democracia também está a se deturpado, como foram todos os outros ao longo da história.
Vamos deixar este recado ao Alberto João Jardim e aos que pensam como ele: a verdadeira constituição de um povo está na sua cultura política e na ética (moral) de cada um dos cidadãos que compõem esse povo.
E agora um aparte leitor(a), um desabafo…Porque é que o homem sempre teve e continua a ter, a maldita tendência de se destruir a ele próprio e destruir os outros? Alguém dirá que isso não é verdade, passem os olhos então pela história da humanidade e verão que esta não passa quase exclusivamente da crónica dos crimes do homem ao longo dos séculos.
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

ant.emidio@gmail.com

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