Situada na face Noroeste da Serra da Estrela, Linhares da Beira foi colonizada pelos romanos que aqui deixaram alguns vestígios, sendo exemplo disso a estrada romana – ainda visível na calçada – que ligava Emerita Augusta (actual Mérida, Espanha) a Braccara Augusta (Braga), assim como os marcos milionários existentes na margem direita do rio Mondego.

José MorgadoLINHARES DA BEIRA – Não existem registos históricos que indiquem quando e quem fundou esta vila, cujo nome primitivo terá sido Lenio ou Leniobriga. Invadida por visigodos e muçulmanos, Linhares passou a ser definitivamente portuguesa com a conquista de D. Afonso Henriques. O primeiro rei de Portugal concedeu-lhe foral em 1169, o qual foi renovado por D. Manuel em 1510.
No entanto, a paz não durou muito tempo e o período de instabilidade prosseguiu no reinado de D. Sancho II. As tropas de Leão e Castela cercaram a região para se apoderarem do Castelo de Celourico da Beira. Linhares «correu» em auxílio de Celourico e, juntas, derrubaram o inimigo. Conta a tradição que este combate terá sido travado ainda de noite e ter-se-á comportado a lua como o mais poderoso aliado dos defensores da praça. Por esta razão, a bandeira de Linhares exibe uma crescente e cinco estrelas.
Linhares da BeiraAo vaguear pela povoação, irá deparar-se com uma aldeia em que impera uma nobreza de raro encanto. As habitações possuem características que rapidamente nos chamam a atenção: fachadas de granito, lápides com as datas referentes à sua construção, brasões e janelas do século XVI em estilo manuelino. O conjunto da aldeia é «coroado» pelo castelo, que se situa a 800m de altitude, reconstruído no século XIII por D. Dinis. Baluarte de defesa na época da reconquista e das guerras com Castela, o castelo ostenta uma forte torre de menagem com balcões abertos no último piso. Da torre partem duas muralhas formando um rectângulo, onde se supõe ter funcionado a primeira povoação.
A Igreja Matriz, reconstruída no século XVII, guarda no seu interior três valiosas tábuas atribuídas ao mestre Grão Vasco. Numa praça de Linhares ergue-se outra preciosidade histórica, falamos de um rústica tribuna – ruína de um fórum medieval – elevada sobre um banco em redor de uma mesa, onde eram tomadas decisões comunitárias e se realizavam os julgamentos.
No séculos XVIII e XIX, o aparecimento de diversos solares atesta a prosperidade económica que nesta época desenvolveu Linhares da Beira, referência para a casa Corte Real e a casa dos Pinas.
Por fim, para rechear de sabor a sua visita, nada como deixar-se levar pelas especialidades gastronómicas da região. Aqui, o destaque vai para a sopa de grão, o cabrito assado, bucho recheado, enchidos, arroz doce com queijo de ovelha e cavacas.
«Terras entre Côa e Raia», opinião de José Morgado

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