Quando faltam cerca de 80 dias para as eleições autárquicas marcadas para 11 de Outubro os nomes e os lugares nas listas para as Juntas de Freguesia e Câmara Municipal estão praticamente definidos e «negociados». O Capeia Arraiana entendeu ser a altura certa para uma grande entrevista aos três candidatos à presidência da Câmara Municipal do Sabugal. António Dionísio (PS) e Joaquim Ricardo (MPT) aceitaram o nosso desafio mas António Robalo (PSD) não se mostrou disponível. Durante uma descontraída conversa à hora do almoço com o candidato António Dionísio a entrevista ficou agendada para o final do dia na sua sede de campanha. Vamos conhecer um pouco melhor o que pensa o candidato socialista à presidência do município sabugalense.

António Dionísio

– Em primeiro lugar gostaríamos de saber se a decisão de ser candidato foi amadurecida ao longo dos anos?
– Nunca me tinha passado pela cabeça candidatar-me a presidente da Câmara Municipal do Sabugal nem pelo Partido Socialista nem por qualquer outro partido. Quando me foi endereçado o convite fiquei um pouco admirado e pedi algum tempo para ponderar a minha decisão. Entretanto fiquei a saber que o actual presidente, Manuel Rito, não se recandidatava ao lugar. Entendi que devia aceitar o desafio para transformar o Sabugal num concelho com futuro e evitar que ele fique estagnado. Actualmente não temos projecção para o futuro. E eu desejo fazer do Sabugal um concelho com futuro.
– Há quem o acuse de não viver no concelho a tempo inteiro. Isso limita-lhe o conhecimento que tem da realidade do Sabugal?
– É uma falsa questão. Aliás a maior parte das pessoas que fazem essa acusação nem cá vivem ou trabalham fora. Eu faço a minha vida no Sabugal. Já houve presidentes da Câmara que nunca cá viveram e nunca cá trabalharam. Eu tento, sempre que possível, fazer compras no comércio sabugalense. Aliás sou proprietário de um negócio de família com mais de 50 anos que é possivelmente o mais antigo comércio de retrosaria, fazendas e tapeçaria do concelho do Sabugal. Inicialmente gerido pelo meu pai na actual loja do senhor Alfredo e, desde há uns anos, na actual localização junto à praia fluvial. Nunca abandonei o Sabugal mesmo quando, por motivos profissionais estive em França, nos Açores ou no Porto. Posso-lhes garantir que conheço muito bem os usos e costumes da nossa gente. Conheço o concelho de uma ponta a outra. Não foi preciso chegar o tempo da campanha para conhecer as aldeias.
– Que reacções tem tido nestas visitas às aldeias?
– Em geral foram muito boas. Os sabugalenses estavam à espera de uma lufada de ar fresco nas candidaturas à Câmara. Além da minha família e dos meus amigos de sempre que me apoiaram desde o início tenho recebido muitos incentivos de pessoas conhecidas. Revejo-me nos ideais socialistas e sociais-democratas do Partido Socialista mas a minha candidatura não se esgota na política. É importante aparecerem sabugalenses com ideias novas para o concelho.
– As opções políticas tomadas fizeram o concelho perder tempo?
– Não direi que se perdeu tempo. Ao longo do mandato quem decidiu considerou que tomou as opções correctas. Mas agora verificamos que não foram tomadas as melhores opções para combater o nosso maior problema, a desertificação. O objectivo não foi alcançado por este executivo.
– Se atingir o seu objectivo qual será a sua primeira medida de combate à desertificação?
– Acredito que o Sabugal é um concelho com futuro. Vou trabalhar para combater a desertificação apoiando a população activa e criando incentivos à fixação dos jovens em colaboração com as associações e as IPSS’s. A Câmara não pode tomar o lugar dos empresários. Vamos criar apoios à actividade empresarial tendo como pano de fundo a desertificação. Temos que estancar a desertificação. É esse o meu grande desafio para os próximos quatro anos. Meu e dos actuais funcionários camarários. Confio e preciso das competências de todos.
– E como vereador? Leva o seu mandato até ao fim?
– Não coloco esse cenário mas se a minha candidatura não for a mais votada serei vereador até ao final do mandato.
– Os custos das obras que o actual executivo lançou como a ligação à A23, o parque empresarial e o parque de campismo podem condicionar a actividade do futuro presidente…
– A ligação à A23 foi imaginada pelo actual executivo para melhorar a ligação de Espanha à Cova da Beira. O Sabugal precisa de melhorar as ligação rodoviárias mas considero que devemos decidir aonde nos queremos ligar. A nossa ligação de sempre é com a Guarda, sede de distrito, onde vamos aos hospitais, às instituições, aos serviços públicos e a PLIE, um grande investimento do Governo, que será um grande factor de desenvolvimento regional. Por tudo isso defendo uma ligação prioritária à Guarda e às duas auto-estradas que nos ligam a Portugal e à Europa. Os troços que estão agora a ser construídos não tem princípio nem fim. Vejam, por exemplo, a estrada do Alto do Cardeal até ao Ozendo. Os troços que a tropa anda a abrir e a ligação só vão ter viabilidade se for o Governo a suportá-los. Para que serve uma estrada que chega ao concelho de Belmonte e não tem continuação?
– O António Dionísio já foi candidato nas listas do PSD à Câmara do Sabugal…
– Nas autárquicas as pessoas são mais importantes que os partidos. Fui em quinto lugar apenas para apoiar o meu grande amigo José Maria Bragança.
– Um mau resultado nas Legislativas por parte do Partido Socialista poderá influenciar as Autárquicas?
– As eleições Legislativas têm uma abrangência completamente diferente das Autárquicas. Durante muito tempo o Sabugal foi o concelho da alternância. A população do concelho do Sabugal vota nas pessoas que conhece e que lhe inspiram confiança. Evidentemente as candidaturas estão ligadas a partidos mas considero que são eleições com motivações locais e focadas nas pessoas com quem falamos ou reconhecemos nas ruas das nossas terras.
– O que é que o candidato António Dionísio gostaria que não acontecesse no combate político no Sabugal?
– Gostaria que não houvessem nunca ataques pessoais. Os ataques pessoais apenas servem para fazer esquecer os temas que devem ser debatidos e que interessam a todos os sabugalenses.
jcl e plb

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