«Todos os homens têm por natureza o desejo de saber»; Aristóteles.

António EmidioPresentemente em Portugal assiste-se a uma notória tentativa por parte do governo, de dar conhecimento e saber a todos os portugueses, existindo vários programas nesse sentido. Também se exige cada vez mais de qualquer categoria profissional, só assim se progride, e é verdade. Mas infelizmente, todo esse saber é canalizado para os interesses utilitaristas do sistema, ou seja, o grande capital, e não para a formação do carácter e para o estudo das humanidades.
E os homens e mulheres que nos governam que conhecimento têm da política, da filosofia e das ciências sociais? Como é natural, muitos têm, mas também como é natural, outros muitos não têm. Os antigos gregos, os que se dedicavam ao saber, à Filosofia e à Política, diziam que os homens de Estado e os monarcas não podiam desempenhar bem as suas funções sem terem em conta os ensinamentos da Filosofia. Convém recordar que ao longo da história, Filosofia e Política andaram sempre de mãos dadas, completavam-se uma à outra, presentemente ignoram-se.
O que quero dizer com isto tudo? O que o leitor(a) já adivinhou: qualquer homem ou mulher que exerça um cargo político, seja ele qual for, tem que ter uma noção básica da História e da Filosofia. Isto é um contributo para o bom funcionamento das instituições e para a defesa da Democracia, porque esta época de carácter conflitivo e ameaçante, não pode prescindir de umas minorias políticas minimamente conhecedoras da história da humanidade em todos os seus aspectos. A não ser assim, o entendimento do presente escapa a quem ignora tudo do passado, e por mais fenómenos e acontecimentos políticos que se sucedam, tornam-se-lhes incompreensíveis.
Esses homens e essas mulheres que nos governam não podem ser umas lideranças voltadas só para a comunicação social, não podem ser uns simples títeres que sirvam essencialmente para legitimar os mandamentos do poder económico, têm que ser livres, e há que ser culto para se ser livre, porque se assim não for, a política enche-se de gente com uma ambição maior que a capacidade.
O homem (mulher) culto, livre, e bom, funde-se com os seus semelhantes, e a dor dos pobres, marginalizados, desempregados, explorados e imigrantes, é a sua própria dor. Esse homem (mulher) não será nunca um fracassado nem um derrotado, mas todo aquele, ou aquela, que não eleger uma conduta ética, o bem, a justiça e o saber, será sempre um fracassado, ou fracassada, por mais troféus que conquiste, e mais palmas e vivas, soarem à sua volta.
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

ant.emidio@gmail.com

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