A fotografia reproduzida nessa crónica foi tirada em meados da década de 1950. Nela podemos ver o Ti João Rito, do Soito, com a boina basca na cabeça, e o João Pereira (no Soito conhecido como João Russo), ambos junto ao carro de aluguer, propriedade do primeiro.

Ti João Rito e o João Russo

Joao Aristides DuarteO Ti João Rito (de seu nome João Augusto Pina Rito) é o homem que, actualmente possui as bombas de gasolina, no Soito, e a empresa de distribuição de produtos alimentares Aviário São Cristóvão, conhecida em todo o concelho e não só.
A foto foi tirada perto do Chafariz da Dorna, na descida da cidade da Guarda para a zona do Mondego. Trata-se de um automóvel de origem norte-americana, que era de cor verde.
Segundo me contou o Ti João Rito serviu para transportar passageiros, mas também para passar algum contrabando para Espanha.
O carro de aluguer, nessa década de 1950 tinha bastante procura, já que quase ninguém tinha automóvel particular e os transportes públicos só aconteciam de manhã ou à tardinha. Quem precisava de deslocar ao Sabugal ou à Guarda a tratar de qualquer assunto tinha que alugar o «táxi».
Nesta época não havia muito trânsito nas estradas do concelho e, até, do país. Para fazer um frete do Soito para os Fóios, Quadrazais ou Vale de Espinho o carro de aluguer tinha que ir ao Sabugal ou cortar num caminho térreo junto à Colónia Agrícola de Martim Rei, uma vez que o Soito só tinha uma estrada (a que ia do cruzamento, junto à Nave até ao Soito). Não existia a estrada para o Ozendo nem a estrada para Quadrazais, que existem hoje em dia.
O Ti João Rito «passou» o alvará para outro habitante do Soito e deixou de ser o taxista da terra.
Já na década de 1960 o taxista do Soito foi o sr. Manuel Joaquim Rito, actual empresário das Confecções Univest. Um dos motoristas do «táxi» do sr. Manuel Joaquim, na década de 1960, foi o, já desaparecido, sr. Jeremias Amaral Dias, presidente da Câmara Municipal do Sabugal nos anos 80, do século XX.
O primeiro carro de aluguer existente no Soito surgiu, no entanto, na década de 1940, propriedade do sr. Miguel Diamantino, que conseguiu o alvará por intermédio do famoso almirante Gago Coutinho.
«Memória, Memórias…», opinião de João Aristides Duarte

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