No dia 7 de Julho, foi apresentado, no Centro Cultural de Vila Nova de Foz Côa, o plano estratégico de promoção turística do Vale do Côa. Fiquei satisfeito com o conteúdo das exposições e como sou homem de fé e de esperança quero acreditar que esse plano estratégico possa contribuir, significativamente, para o progresso e desenvolvimento do turismo do Vale do Côa.

José Manuel CamposNa sessão de abertura interveio o Prof. Baptista Ribeiro, Presidente da Assembleia Intermunicipal da AMVC, e o Dr. Emílio Mesquita, Presidente do Conselho Directivo da mesma associação.
Por volta das 16 horas o Prof. Dr. Augusto Mateus fez a apresentação do plano estratégico de promoção turística do Vale do Côa.
Do Sabugal deslocámo-nos meia dúzia de Presidentes de Junta, acompanhados do vereador António Robalo e Dr. Norberto Manso em representação da empresa Sabugal +.
Prestámos, naturalmente, a maior atenção aos Senhores que usaram da palavra e só foi pena que, no final, não tivessem dado a oportunidade aos membros da assembleia de poderem intervir, quer questionando quer expondo alguns pontos de vista que muito teriam contribuído para o enriquecimento da sessão.
Já tenho participado em sessões deste género e quando me dão a oportunidade de poder intervir começo por dizer: «Cantas bem mas não me alegras».
Confesso que se me têm dado a oportunidade de poder intervir pretendia dizer:
«Cantaram bem e alegraram-me».
Mas, meus Senhores, não se esqueçam que o Vale do Côa começa em Vila Nova de Foz Côa e termina em Foios. Felizmente que já houve gente de bom senso a conceder-nos algumas migalhas do bolo que nós, gente de Foios, poderemos considerar uma saborosa fatia.
Na verdade, através da A.I.B.T do Côa, conseguimos que tivesse sido construído o caminho para a nascente do querido e amado rio Côa bem como um bonito edifício que baptizámos de CENTRO CÍVICO NASCENTE DO CÔA.
E que dinheiro tão bem empregue, meus Senhores. Só poderão criticar, estas obras, alguns ignorantes e invejosos.
Estas infra-estruturas já começaram a dar vida e esperança aos Foios e à região. É verdade que muito embora ainda estejamos carenciados de alguns equipamentos e de recursos humanos, têm sido bastantes as actividades levadas a efeito no Centro Cívico. Os muitos grupos que nos têm visitado são sempre recebidos no auditório do Centro Cívico onde lhes são exibidas algumas peças alusivas à Serra das Mesas, ao contrabando, às capeias e, finalmente, visita-se a nascente do Côa e alguns aspectos graníticos da serra das Mesas.
foiosVisto que mantemos um extraordinário relacionamento com o Ayuntamiento de Navasfrias nas pessoas do Alcalde e Teniente Alcalde, Celso Ramos e Florêncio Ramos, respectivamente.
São muitos os grupos que fazem a rota do contrabando de Foios a Navasfrias. Nesta localidade quase sempre os espera o Celso ou Florêncio para lhes fazerem uma visita guiada ao parque de campismo El Bardal, ao Centro de Interpretação da Natureza ou mesmo às minas de volfrâmio, aí existentes.
Não tenho dúvidas de que este é o caminho. Mas sem ovos não se fazem omoletes. Continuo a afirmar que o muito que já fizemos ainda é pouco em relação a tudo quanto temos para fazer.
Mas as coisas, em Portugal, são muito complicadas e muito difíceis. Há muita má vontade por parte de algumas pessoas. Por vezes em vez de ajudarem emperram. E quantas pessoas não desistem dos seus projectos por estas razões? Cansam-se de tanta burocracia, de tantas más vontades e acabam por desistir.
Felizmente que, modéstia à parte, eu não sou assim.
Não me deixo vencer pelo desânimo e se tiver que denunciar e enfrentar não tenho problemas em o fazer, quando a razão me assiste. Quando peço não peço para mim. Peço para o meu povo. E quando peço também não peço nada daquilo que é dos Senhores que representam as instituições. Peço ou reivindico aquilo a que julgo ter direito, enquanto autarca.
Quem me conhece sabe bem que sou uma pessoa séria, educada e responsável. Também não sou, por natureza, pessoa vingativa ou de maus instintos. Mas fico do avesso quando vejo injustiças, más vontades, cinismo e incompetência.
Confesso que estou muito feliz com o trabalho que vamos desenvolvendo na nossa santa terrinha. São muitas as pessoas que nos visitam e que têm uma grande importância na economia local e regional.
Queremos continuar a crescer mas não queremos crescer sozinhos. Pretendemos que o Plano Estratégico de Promoção Turística do Vale do Côa, o Agrupamento Europeu de Cooperação Territorial, CCDRC e outras instituições se lembrem de todos os municípios e de todas as freguesias. Pretendemos mais dinheiro e mais responsabilidade para as Juntas de Freguesia. Tenham sempre presente que sem dinheiro não há autoridade, não há progresso e não há desenvolvimento. Lembrem-se igualmente que as Juntas de Freguesia fazem muito com pouco dinheiro e outros com o mesmo dinheiro ficam muito aquém das Juntas de Freguesia.
Não queremos continuar a ser o parente pobre do poder local. Não queremos ser os criados das Câmaras só para lhes afixarmos os editais, passar as informações relativas a obras, vendermos as campas nos cemitérios e outras coisas do género. Queremos, mais meios mais competências e mais responsabilidades.
Este poder local não nos serve. Se alguém tiver dúvidas venha ter comigo e terei muito gosto em os levar a alguns Ayuntamientos de localidades vizinhas espanholas, algumas mais pequenas que as nossas, e verão como tudo é diferente para melhor.
Naturalmente que este meu desabafo não tem nada a ver com os executivos municipais. Pretendo apenas, e tão-somente, contestar a Lei que limita e restringe as acções das Juntas de Freguesia que continuam a ser o parente pobre do poder local.
A ANAFRE que não se esqueça de reivindicar junto dos Senhores Governantes. Terão que lhe manifestar o nosso descontentamento e, se necessário, que nos mobilizem para podermos bater o pé em Lisboa ou até mesmo um boicote aos actos eleitorais. Unidos seremos uma grande força.
Basta de poder local sem dinheiro e sem recursos humanos.
Confesso que fugi ao tema mas o entusiasmo e a revolta foram mais fortes.
Aproveito para informar que o nosso bonito auditório está à disposição de todas as pessoas que pretendam utilizá-lo. Tem capacidade para cerca de uma centena de pessoas.
Aqui também se pratica uma gastronomia de excelência. Enchidos, truta, cabrito e javali.
Visitem-nos e não se arrependerão.
«Nascente do Côa», opinião de José Manuel Campos

(Presidente da Junta de Freguesia dos Foios)

jmncampos@gmail.com