A fotografia reproduzida nesta crónica foi tirada em Agosto de 1974, no pedido da Praça para a Capeia, no Soito.

Joao Aristides DuarteO redondel, em cimento, tinha sido colocado nesse mesmo ano. Até 1974, as capeias decorrem durante muitos anos no mesmo local, mas a praça era tapada com carros de vacas carregados de lenha, que serviam de calampeiras.
O Soito sempre foi uma terra especial no pedido da praça, nas capeias. Não era costume pedir a praça a uma pessoa muito importante da terra, como acontecia noutras localidades vizinhas. Aqui pediu-se, muitos anos, a praça «ao povo do Soito» ou, então a personagens bem típicas como o Ti Bernardo da Ti Rata ou o Zé Nenho.
Lembro-me, também, de um pedido de praça, por estes anos, em que o falecido Zé Nenho apareceu em «traje de luces», tendo dado uma volta à praça com essa vestimenta, levando muita gente que não o conhecia ao engano, pensando que era mesmo um toureiro de verdade.
Neste ano de 1974 quem participou no cortejo (para além dos mordomos) foram os Zés Pereiras do Paul, no concelho da Covilhã, que, por esta época, vinham muitas vezes ao Soito, animar festas.
Para além dos Zés Pereiras podemos ver o Toninho Oliveira a tocar tambor (em primeiro plano, do lado esquerdo), tendo ao seu lado direito o mestre Fernando Monteiro Fernandes (com as calças às riscas e a t-shirt do 25 de Abril – afinal a Revolução tinha sido há 3 meses!). Atrás do Toninho Oliveira e a fingir que está a tocar guitarra está Eugénio dos Santos Duarte, o pai deste cronista.
Do lado direito da fotografia (de chapéu de palha na cabeça) podemos ver o Ti Zé Impedido, um grande aficcionado das capeias, que completou este ano um século de existência.
«Memória, Memórias…», opinião de João Aristides Duarte

akapunkrural@gmail.com

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