A Primeira Guerra Mundial aconteceu nos anos de 1914 a 1918. Alguns rapazes do Soito foram, também, mobilizados para a Guerra. Mais de uma dezena de soitenses partiram para França.

Joao Aristides DuarteA Guerra começou entre a Tríplice Entente (França, Inglaterra e Império Russo) e a Tríplice Aliança (formada pelo Império Alemão, Império Austro-Húngaro e Império Turco-Otomano) e mudou de forma radical o mapa político da Europa e do Médio Oriente (…).
(…) A 9 de Março de 1916 a Alemanha declarou guerra a Portugal. Tudo começou com o facto de Portugal ter capturado 70 navios alemães (que estavam fundeados em portos portugueses) a pedido das autoridades inglesas.
Portugal entrou na Guerra, como aliado da Inglaterra.
(…) Alguns rapazes do Soito foram, também, mobilizados para a Guerra. Mais de uma dezena de soitenses partiram para França.
A despedida dos mobilizados, do Soito, aconteceu nas Eiras do Calvário onde se reuniram muitos familiares e mesmo muitos membros da população. Os soldados foram a pé até à Cerdeira, onde apanharam o comboio para a Guarda (quartel de Infantaria 12) e de onde, posteriormente, seguiram para Lisboa. Às costas levavam uma bolsa com comida e alguma roupa.
João EscolásticoEm Lisboa os soldados foram treinados para a Guerra e foram enviados para França.
Foi um dia muito triste, com muitas pessoas a chorar e a gritar, já que partir para a Guerra significava que os soldados poderiam não mais voltar.
Foi isso que aconteceu a dois soldados do Soito que acabaram por morrer na Guerra. Eram eles João Baptista Dias e João Escolástico (…). – citações do livro «Baú da Memória – O Soito de Antigamente», de Eugénio dos Santos Duarte, recentemente editado.
Todas as Guerras, sobretudo aquelas com um número tão impressionante de vítimas como a Guerra de 1914/1918, são injustas. Eu cumpri serviço militar obrigatório, como soldado, e sei bem, que no caso de acontecer uma mobilização por qualquer motivo, lá teria de ir, mesmo contra a minha vontade.
É por isso que eu tenho o máximo respeito por esses bravos soldados anónimos que combateram e combatem nas batalhas, por motivos a que são, verdadeiramente, alheios. Com certeza que os interesses dos oficiais de alta patente nunca serão os interesses dos soldados. Mas há que cumprir ordens e sujeitar-se à hierarquia militar.
A fotografia reproduzida nesta crónica é de João Escolástico, um desses bravos soldados do Soito, que participaram na Primeira Guerra Mundial. A sua morte aconteceu na terrível batalha de La Lys, na Flandres, onde o exército português sofreu uma terrível derrota.
João Baptista Dias era irmão da minha avó materna. Lembro-me bem de ela ter uma fotografia do seu irmão, mas não foi possível encontrá-la, agora.
A fotografia de João Escolástico foi-me cedida pelo seu neto, também chamado João Escolástico, um emigrante em França, que tem memória e a quem agradeço.
«Memória, Memórias…», opinião de João Aristides Duarte

akapunkrural@gmail.com

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