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Tentativa de explorar o intuitivo sistema de zonas de Ansel Adams.

(Clique na imagem para ampliar.)

Não seguindo a teoria de Ansel Adams à risca, uma vez que este era grande defensor da conservação da natureza onde o elemento humano está praticamente ausente, resolvi explorar o intuitivo sistema de zonas. Um método que busca a essência de medições em vários assuntos do fotograma. Com estas imagens, onde a presença humana se faz sentir e daí a minha ousadia de ruptura com Ansel Adams, tentei recriar a gradação de tonalidades e a exposição ideal entre as várias zonas da fotografia.

«A Objectiva de…», galeria fotográfica de Pedro Afonso
pmiguelafonso@gmail.com

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Estando a época das capeias arraianas a iniciar-se nas aldeias do concelho do Sabugal, e quando se fala no registo dessa tradição única do mundo, resolvemos compilar algumas citações de livros que falam sobre a tourada com forcão. Não há dúvida que esta é, a par com a do castelo de cinco quinas, a nossa melhor imagem de marca.

Capeia ArraianaA assistência põe-se de pé, grita, chora e atira imprecações ao touro: Ai o meu homem que já o mataram! Acudam ao desinfeliz que já o levou o diabo! Jesus, Jesus, o burro do meu filho morto! Eh vaca excomungada, raios te partam, estupor!… Passado o lance, volta o sossego, a alegria, o burburinho.
Carlos Alberto Marques, in «Algumas Notas Etnográficas de Riba Côa».

Ainda hoje se fala na fatídica tarde em que o touro matou um rapaz, subindo para tal alguns degraus duma escada, puxando-o com os dentes para o curro e estoirando-o depois.
Franklim Costa Braga, in «Quadrazais, Etnografia e Linguagem».

Quando a gente de Forcalhos não for capaz de dominar o touro, os moços das aldeias próximas pedem para que os deixem correr esse touro no dia da sua festa, numa manifestação de emulação sócio cêntrica, habitual entre grupos vizinhos.
Ernesto Veiga de Oliveira, in «Festividades Cíclicas em Portugal».

Em toda a geografia ibérica e mesmo mundial o Forcão apenas existe numa estreita faixa de terreno limitada ao norte pelo rio Côa, ao sul pela serra da Malcata, o Ocidente pela serra da Estrela e a oriente pela fronteira de Espanha.
E quando fixamos o limite ocidental na serra da Estrela, é porque nas aldeias do chamado Vale de Estrela ainda se realizam curiosas corridas à vara larga que se podem talvez considerar como uma variante degenerada da corrida do Forcão.
Fernando Teixeira, in «O Touro e o Destino».

O boi, num momento defensivo, de recuo, encontra o portal velho de uma loja, despede-lhe um tremendo coice, a porta cai em estilhas, e do portal arrancado irrompe… uma porca a grunhir. Hilaridade geral. Uma voz grita, aflitíssima:
– Ai, a minha «marrana», que lá se me vai!…
Abel Botelho, in «Uma Corrida de Toiros no Sabugal», do volume «Mulheres da Beira».

– Senhora das Neves, acudi ao forcão!
– Nossa Senhora das Neves, salvai-os!
Do torvelinho de poeira, que enfarinha os espectadores, saem rapazes ilesos ou feridos que marinham, rápidos, pelas cordas presas aos fueiros.
Nuno de Montemor, in «Maria Mim».

O forcão fica pronto e encostado num dos cantos da praça, a aguardar o dia. A canalha visita-o com uma alegria feita de gozo antecipado. Tenta levantá-lo. Põe-se à galha, grita «eh boi!».
Adérito Tavares, in «A Capeia Arraiana».

Às galhas da frente pegam dois rapazes que se hajam notabilizado pela força física. A frontaria do centro confia-se a gente simultaneamente forte, corajosa e de bom engenho. Os restantes postos distribuem-se um pouco à touxe-mouxe pelos voluntários, em todo o caso rapazes valentes e forçantes. Lugar-chave, todavia, é o de rabejador, autenticamente chefe, comandante e capitão da empresa.
Manuel Leal Freire, in «Ribacôa em Contra Luz»

O rabeador eleva ou abaixa o triângulo, auxiliado pelos outros homens, conforme a direcção que o toiro toma, e tenta assim impedir que o toiro salte para cima do triângulo ou se meta por baixo.
J. Leite de Vasconcelos, in «Etnografia Portuguesa».

A parte mais curiosa do folguedo consiste no forcão, espécie de grade, formada de um grande ramo ou pernada de carvalho, com uma grossa vara onde os galhos se atam e afastam, dando-lhe a forma triangular.
Joaquim Manuel Correia, in «Memórias sobre o Concelho do Sabugal».

E eis que a porta se abre, dando passagem ao famoso touro, que irrompe pela praça dentro como um furacão.
Na praça, só o forcão fortemente guarnecido. Todos os demais se empoleiraram o mais alto que puderam. Até os capinhas.
José Martins, in «Drama sob as Nuvens».

Espectáculo único que bem traduz a audácia e a força das gentes de Riba-Côa».
Virgílio Afonso, in «Sabugal, Terra e Gentes».

A tourada raiana é um espectáculo que as gentes da região apreciam de tal modo que, durante o verão, todas as terras realizam a sua, e, em muitos casos, em jeito de rivalidade, procuram até arranjar mais do que uma.
«À Descoberta de Portugal», edição das Selecções do Reader’s Digest.

São os jovens a descer à arena, manobrando um complicado aparelho feito de toros de madeira (o forcado) para manter o boi à distância. E ai do forasteiro que se atreva a deitar a mão a uma das pegas do forcado sem para tal ter sido convidado…
«Guia de Portugal», edição do jornal Expresso (1995).

Os foliões que vão pegar ao forcão mantêm-se ao largo até que se anuncie a saída do primeiro touro mas, alguns, para garantia de que têm para onde fugir, vão ocupando as escadas do pelourinho e um fanfarrão, para mostrar a sua destreza, conseguiu mesmo subir até ao cimo desse monumento que é o mais alto de Portugal numa só pedra.
Porfírio Ramos, in «Memórias de Alfaiates».

Meu pai, que foi um grande aficionado das capeias, sempre que a elas se referia, não se esquecia nunca de falar em quatro toiros, certamente por muito o terem impressionado devido à sua grande bravura, cujos nomes eram: o Carreto, o Galgo, o Gravato e o Cinzento.
José Manuel Lousa Gomes, in «Memórias da Minha Terra».
plb

Tornou-se hábito entre a rapaziada de agora o uso de brincos e de outros espetos metálicos a adornar o corpo, suplantando em muitos casos os da mocidade feminina.

Ventura ReisA par das tatuagens, que nalguns casos cobrem a quase totalidade do corpo, os penduricalhos metálicos espetados na carne tornaram-se de uso comum entre os jovens. O efeito de imitação, que entretanto surgiu, transformou esta prática em moda e a onda tem crescido a olhos vistos.
Claro que o corpo é de cada qual e a imagem também, e concordo que devemos respeitar os gostos dos outros, mas eu, perdoem-me lá, sou doutro tempo e não vejo isto como um bom sinal.
Esta juventude de agora, soma à irreverência o gosto pela extravagância, por isso a vamos vendo também com o cós das calças ao fundo do rabo e com o cabelo pintado com as cores do arco-íris. Só que um dia estes jovens serão adultos e alguns, passada a época do capricho, quando o pleno juízo sobrevier, quererão ter uma imagem «normal» para ingressarem na vida profissional e nela singrarem. Pois temo bem que um rapaz tatuado até ao limite e com as orelhas, nariz e lábios furados, não consiga ser visto como alguém normal. Talvez o fato, a camisa e a gravata lhe assentem de forma ridícula e isso o venha mesmo a prejudicar.
Às vezes penso que só com um sarrafo nas mãos se pode meter juízo nestas cabeças tolas, mas logo me arrependo de pensar assim, pois nos tempos de agora isso pode ser contraproducente. Não sei pois como se poderá encontrar uma solução, mas talvez o melhor seja esperar que a moda se pegue a todos os homens, porque assim já ninguém estranha, ou que a mesma acabe, e tudo volte àquilo a que eu chamo de normalidade.
Agora a mim não me peçam que ache bem essas modas da juventude. É que no meu tempo de rapaz eu, que fui criado no campo, apenas me lembro de ver as argolas colocadas no focinho dos bois de cobrição, às quais se atava a prisão para os conduzir para junto das vacas toirondas que os homens levavam ao curral. Também os porcos tinham um arame na ponta do focinho, a que se chamava arganel, para se evitar que os mesmos revolvessem a cama.
«Tornadoiro», crónica de Ventura Reis

Apenas umas notas, depois destas últimas notícias publicadas na Capeia Arraiana.

UnescoEste processo já teve início em 5 de Março deste ano, logo que rebentou a polémica dos Açores, através do Presidente da nossa Associação Jovem de Aldeia da Ponte, João Nunes, questionando a Comissão Nacional da Unesco, sobre este assunto, sendo remetido para o Departamento do Património Imaterial do Instituto dos Museus.
Se estivessem atentos, no artigo que disponibilizei sobre este assunto, no dia seguinte, dia 6 de Março podia ler-se: «Conhecida a notícia, felizmente que já há várias Associações arrainanas em campo, a trabalhar afincadamente, para tentar uma resolução, em favor das nossas tradições.»
Devido à urgência deste assunto, quatro Associações jovens da Raia já iniciaram o processo, apesar de todas terem sido consultadas, não aderindo por isto ou por aquilo, sem que signifique que fiquem de fora, antes pelo contrário, serão englobadas mais tarde.
Também a Câmara Municipal de Sabugal já está informada deste processo, a quem estas quatro Associações pediram o apoio.
Como resposta da Unesco, informaram-nos que estava para sair um Decreto-Lei que iria regulamentar estas tradições através do Património Cultural Imaterial que sairia ainda este ano, como acabou por sair no dia 15 de Junho.
Entretanto, estas quatro Associações Jovens da Raia já enviaram as primeiras informações sobre a nossa tradição e estão a preparar alguns DVDs, fotografias e referências bibliográficas para disponibilizarem brevemente.
Tencionamos ainda, marcar reuniões, logo que possível, agora que acabou de sair a Lei, com alguns responsáveis do Instituto dos Museus, afim de estudarmos a melhor maneira de satisfazermos todos os quesitos a apresentar, baseados no Decreto-lei acabado de publicar e que entrará em vigor no dia 15 do próximo mês de Julho.
Sabemos que poderá não ser um processo fácil, isso é seguro, mas iremos até ao fim e levará o tempo que for necessário. Pressionaremos e apresentaremos todos os argumentos, historiando tudo com o pormenor desejado pelo respectivo Departamento do Património Imaterial do Instituto dos Museus.
Como vêm, todos podem ficar tranquilos, que os assuntos já estão a ser acompanhados desde Março, o pessoal da Raia não dorme e já está em campo há muito tempo, apenas aguardando a saída da tal dita lei, sobre o Património Imaterial.
Para que conste, as Associações da Raia, iniciadoras deste processo: Associação Juventude Pontense, Associação de Jovens da Lageosa da Raia, Associação Recreativa e Cultural dos Forcalhos, Associação Mocidade de Aldeia do Bispo.
Esteves Carreirinha

JOAQUIM SAPINHO

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