Muito se tem falado na questão dos downloads ilegais nos últimos tempos, sobretudo devido a uma polémica lei francesa, que prevê o corte da Internet a quem abuse. Penso que tudo não passa de uma questão de consciência: só faz quem quer e não tem amor à arte.

Pedro Miguel Fernandes - Série BHá várias razões que levam alguém a descarregar um filme ou uma música na Internet sem pagar. A mais simples é o facto de ser gratuita, logo a mais apetecível. Eu não me oponho a quem o faz, aliás tenho muitos amigos que o fazem e não o censuro, mas não o faço por uma simples razão: nada é melhor do que o original.
Seja um filme ou uma música, para mim ver um filme pirateado no computador ou mesmo gravado em DVD é quase como ver a representação de um quadro famoso num postal ou num livro. Nunca é a mesma coisa. Sobretudo quando estamos a falar de cinema. A sensação de ver um filme na tela é completamente diferente da de o ver em casa, há sempre pormenores que falham. Quanto mais numa cópia cuja qualidade por vezes não é a melhor.
DownloadPor outro lado a indústria cultural ainda não se adaptou ao universo infinito do digital e se não encontrar uma saída a curto prazo muito do que se faz actualmente pode deixar de existir. Não falo da obra de grandes cineastas, com nome feito, cujos filmes fazem sempre receita, independentemente das cópias que são descarregadas ilegalmente. A minha preocupação vai para os jovens que querem iniciar uma carreira de realizador e muitas vezes não têm apoio dos estúdios, que sempre tiveram medo de falhar nas receitas, e agora começam a temer que este seja visto mais vezes por meios ilegais.
Como seria o cinema actual se na década de 70 já existissem downloads e realizadores como Martin Scorcese, Steven Spielberg e toda aquela geração que influenciou e apaixonou tanta gente fosse apanhada na vaga. Se calhar não teríamos visto obras como «ET», «Touro Enraivecido», «Apocalipse Now», entre muitos outros.
No fundo quem também acaba por perder somos nós, que gostamos de cinema.
«Série B», opinião de Pedro Miguel Fernandes

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