O escritor José Saramago vai iniciar esta quinta-feira, 18 de Junho, a partir de Lisboa o percurso de Salomão, no seu mais recente livro «Viagem do Elefante», rumo à fronteira luso-espanhola. O convite partiu da Câmara Municipal de Figueira de Castelo Rodrigo que viu o nome da localidade destacado na obra do Prémio Nobel. O trajecto do elefante Salomão incluiu, também, Sortelha e Sabugal na sua longa viagem até à corte austríaca.

A leitura atenta do livro «A viagem do elefante», onde Figueira de Castelo Rodrigo ocupava lugar de destaque, levou a Câmara Municipal local a convidar o Prémio Nobel da Literatura, José Saramago, para uma visita à aldeia histórica.
De acordo com informações do município de Castelo Rodrigo à Agência Lusa, José Saramago aceitou o repto e deverá chegar a Castelo Rodrigo, ruínas do Palácio Cristóvão de Moura, cerca das 17.30 horas desta quinta-feira, para aí pernoitar. No dia seguinte o escritor seguirá a rota da «A Viagem do Elefante» com destino a Valladolid.
Segundo a Fundação José Saramago, o autor elaborou um itinerário pela «rota portuguesa de Salomão», que parte de Lisboa (Belém) no dia 18 de Junho, e passa por Constância, Castelo Novo, Fundão, Sortelha, Sabugal, Cidadelhe e Figueira de Castelo Rodrigo.
A ideia para o romance, ou conto como lhe prefere chamar o autor, surgiu de um acaso. Quando estava num restaurante em Salzburgo, chamado «O Elefante», José Saramago reparou numa pequena escultura em madeira da Torre de Belém e é informado que tal se deve ao registo de um itinerário feito por um elefante, que em 1551 foi de Lisboa a Viena como oferta do rei D. João III ao seu primo, o arquiduque Maximiliano da Áustria, genro do imperador Carlos V. O animal vindo da Índia estava há dois anos em Lisboa, mais propriamente em Belém, e era desconhecido da maior parte dos europeus.
E é com base nesses escassos elementos e na sua poderosa imaginação que José Saramago desenvolve a sua mais recente obra «A Viagem do Elefante», escrita em condições de saúde muito precárias.
«[Contei esta história] em primeiro lugar, porque me apeteceu, e em segundo lugar, porque, no fundo (se quisermos entendê-la assim, e é assim que a entendo) é uma metáfora da vida humana», disse Saramago à agência Lusa. «Este elefante que tem de andar milhares de quilómetros para chegar de Lisboa a Viena morreu um ano depois da chegada e, além de o terem esfolado, cortaram-lhe as patas dianteiras e com elas fizeram uns recipientes para pôr os guarda-chuvas, as bengalas, essas coisas», referiu.
Em epígrafe, Saramago escreve: «Sempre chegamos ao sítio aonde nos esperam.» Esse sítio é a morte, explicaria mais tarde.
jcl

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