Há quem não acredite em milagres. Eu às vezes acredito e na semana passada tive a oportunidade de assistir a um: a chegada às salas de cinema de «Chacun son Cinéma», a mais bela homenagem à Sétima Arte jamais feita.

Pedro Miguel Fernandes - Série BFoi com bastante agrado que na semana passada vi estrear numa sala de cinema lisboeta o filme colectivo «Chacun son Cinéma», uma encomenda feita em pelos organizadores do Festival de Cannes, que também arrancou na semana passada, para comemorar os 60 anos daquele que será talvez o festival de cinema mais conhecido do mundo. Para esta encomenda foram convidados alguns dos maiores cineastas vivos, dos mais variados países, para contarem em apenas três minutos uma história sobre uma sala de cinema. Tão simples como isto.
E o resultado é fabuloso. Das 35 curtas-metragens que compõem o filme, todas fazem uma homenagem ao cinema de uma forma bela e não se pode dizer que haja uma que seja má. Mesmo as que são mais fraquinhas, se é que se pode dizer isso destas pequenas obras-primas, são boas. Digo isto pois tive já a oportunidade de vê-las todas no final do ano passado, no âmbito de um ciclo da Cinemateca dedicado a Manoel de Oliveira, um dos cineastas convidados e a única presença lusa. Curiosamente o mestre português faz uma homenagem cómica ao cinema mudo, com entretítulos e tudo, onde recria um encontro imaginário entre o Papa João XXIII, interpretado por João Bénard da Costa, e Nikita Krutchev.
Chacun son CinémaAo longo das restantes curtas temos oportunidade de assistir a obras de cineastas tão conhecidos como David Lynch (EUA), Takshi Kitano (Japão), Nanni Moretti (Itália), Alejandro Gonzalez Iñarritu (México), Abbas Kiarostami (Irão), Walter Salles (Brasil), Wong Kar-wai (Hong Kong), entre muitos outros, naquilo que é quase umas Nações Unidas da Sétima Arte.
Para quem gosta de cinema este é um filme a não perder. Estreou na passada quinta-feira nos cinemas do Corte Inglês, em Lisboa e terá distribuição em DVD pela Midas, uma produtora recente que tem apostado no lançamento de filmes de culto, inicialmente apenas em DVD, mas que tem vindo a estrear algumas fitas do seu catálogo também em sala. São estes os pequenos milagres que por vezes acontecem no universo do cinema em Portugal.
«Série B», opinião de Pedro Miguel Fernandes

pedrompfernandes@sapo.pt

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