O evolucionismo é um dos «dogmas» da mentalidade moderna relativista, e de que este ano muito se fala, porque nasceu há exactamente 150 anos com o lançamento do livro «A Origem das Espécies» do biólogo e naturalista Inglês Charles Darwin e que tem abalado o mundo científico e religioso no último século e meio.

João ValenteNos séculos XVII e XVIII, com o recrudescer do gnosticismo, que se alimentou no cabalismo gnóstico de Jacob Boehme, espalhou-se nos meios místicos e esotéricos, a ideia de evolução universal. Para essas seitas cabalistas e gnósticas, o processo de auto-manifestação de Deus incluiria não só o universo, mas também a História e contagiou até a Teologia com alguns pensadores da Igreja como Teilhard de Chardin que defendeu ser a evolução «uma condição geral à qual se devem dobrar todas as teorias, todas as hipóteses, todos os sistemas; uma condição a que devem satisfação doravante para que possam ser tomadas em consideração e para que possam ser certas.» (in O fenómeno Humano, p. 245).
Julian Huxley, por sua vez, mostra como o dogma da evolução se impôs como o fundamento do moderno relativismo:
«No tipo de pensamento evolucionista, não há lugar para seres sobrenaturais (espirituais) capazes de afectar o curso dos acontecimentos humanos, nem há necessidade deles. A terra não foi criada. Formou-se por evolução. O corpo humano, a mente, a alma, e tudo o que se produziu, incluindo as leis, a moral, as religiões, os deuses, etc., é inteiramente resultado da evolução, mediante a seleção natural.» (Cfr. Huxley, J. Evolution after Darwin, p. 246, apud Ossandòn Valdès, Juan Carlos, En torno al concepto de evolución, artigo na revista Philosophica, de Santiago do Chile, Suplemento doutrinário da revista Jesus Christus, número 50, de Buenos Aires).
Cremos que estas afirmações de Teilhard de Chardin e de Huxley sejam suficientes – além do exame do que ocorre hoje – para confirmar o que dissemos acima: o evolucionismo tornou-se o dogma fundamental do relativismo moderno.
Mas o evolucionismo tem suscitado debates não só entre ateus e crentes, mas inclusive entre os próprios cientistas. Portanto, o debate não é simplesmente entre fé e razão – o que é um falso dilema –, como é colocado pela mídia, mas discute-se mais profundamente se a teoria da evolução é uma ciência verdadeira.
A respeito disso, veja-se o que diz, L. Harrison Matthews, importante geólogo evolucionista:
«O facto de que a evolução é a espinha dorsal da Biologia e que a Biologia está então na posição particular de uma ciência fundamentada numa teoria não comprovada, – é ela então uma ciência ou uma fé? Crer na evolução é então o paralelo exacto do crer numa especial criação – ambos são conceitos cujos crentes crêem como verdade, mas que nem um nem outros, até o presente, foi capaz de provar.» (L.H. Matthews, Introdução para a «The Origin of Species», de Charles Darwin, Dent and Sons, London, 1971,p. XI, apud Duane T. Gish, «Evolution: the Challenge of the Fossil Record», Creation-Life Publishers, El Cajon, 7a. ed. 1992,p. 15).
E ainda, Norman Macbeth, textualmente diz que «o Darwinismo não é ciência» (in American Biology Teacher Novembro de 1976, p. 496, apud Duane T. Gish, op. cit.,p.14).
Hoje, esse dogma, que até alguns cientistas não aceita sem reservas é impingido por repetição contínua e por embebimento a todos, já que toda a sociedade o respira continuamente.
No supra citado artigo do professor Ossandón Valdés, encontramos uma citação de J.C. Mansfield na qual ele pede que: «os estudantes secundários sejam embebidos do pensamento da evolução de tal modo que se acostumem a tudo pensar em termos de processo, e não em termos de situação estática.»
Evidentemente é o que se tem praticado em escala mundial, para criar nos jovens uma mentalidade relativista.
Para os cristãos, o maior problema de muitos evolucionistas está na sua postura filosófica – o naturalismo – que nega a priori qualquer lugar para Deus nos fenómenos estudados pela ciência. Esses cientistas afirmam dogmaticamente que questões de fé e questões de ciência são compartimentos estanques, incomunicáveis.
O autor Phillip E. Johnson, que é um respeitado crítico das pretensões filosóficas das teorias darwinistas e neodarwinistas, demonstra que os defensores da evolução naturalista são tão condicionados por pressuposições sobre a realidade e o conhecimento quanto os seus opositores. Dois bons livros de Johnson que abordam esses temas são «Darwin no Banco dos Réus (Cultura Cristã)» e «Ciência, Intolerância e Fé (Ultimato)».
Este e outros estudiosos teístas argumentam que existem questões cruciais para as quais a abordagem naturalista não tem uma resposta convincente, a começar da origem da vida e das leis precisas e universais que regem toda a realidade. Alguns deles, não necessariamente religiosos, têm proposto o conceito de «projecto inteligente» (Intelligent Design).
Este artigo já vai mais extenso do que pretendíamos. Não podemos pormenorizar mais, mas queremos referir que no âmbito do cristianismo, tem existido uma variedade de posições em relação ao evolucionismo.
Uma abordagem é o «evolucionismo teísta», segundo o qual Deus criou de maneira directa no início do processo e desde então actua somente através de causas secundárias por meio da evolução biológica. Um exemplo clássico desse enfoque é o teólogo e antropólogo católico Pierre Teilhard de Chardin (1881-1955), que reinterpretou toda a mensagem cristã em termos evolucionistas.
Outra perspectiva, o «criacionismo progressivo», entende que as actuais variedades de organismos são resultantes do processo de diversificação por meio da micro evolução, a partir dos protótipos criados originalmente por Deus.
Por fim, há o criacionismo clássico, segundo o qual cada espécie foi criada directamente por Deus. Essa posição inclui o entendimento literal dos dias da criação (24 horas), de uma terra jovem (cerca de dez mil anos) e de um dilúvio universal que explicaria os depósitos sedimentares e os fósseis de hoje.
(Continua na próxima semana.)
«Arroz com Todos», opinião de João Valente

joaovalenteadvogado@gmail.com

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