«A sociedade mais feia é aquela em que os opulentos são considerados os melhores»; Cícero.

António EmidioEu, quando algum governante começa com as arengas próprias da política espectáculo, ou seja, retórica barata e cinismo, pouco ou nada ligo, por uma simples razão: a mim não me interessam as palavras, o importante é saber quem manda.
Presentemente, nesta democracia neoliberal, a do poder económico, aqueles que nós elegemos cada quatro anos, não chegam ao poder, chegam ao governo. Gerem administrativamente o Estado mas o controlo da economia e da ideologia é feito pelas elites económicas. Essas elites têm um poder ilimitado, actuam à margem dos cidadãos, decidem tudo o que se deve fazer a nível político e económico, desde os despedimentos em massa até à suspensão das moedas nacionais, no caso dos países da União Europeia.
Tudo isto foi originado pelo processo de globalização, posto em marcha pelo capitalismo neoliberal. O que faz diferir as elites de agora das de outros momentos históricos? As de agora são detentoras de um poder ilimitado, incontrolável e opaco.
Três pequenos grandes exemplos:
David Rockefeller afirma e aconselha (por enquanto, qualquer dia ordena) que o poder privado (económico) deve substituir o dos governos eleitos.
Gavriil Popov, presidente da união dos economistas, disse diante de quem o quis ouvir, o que aí atrás se dizia à porta fechada: «é necessário um parlamento mundial, um governo mundial, forças armadas mundiais, força de polícia mundial, e banco mundial. Os países que não aceitem as perspectivas globais devem ser expulsos da comunidade mundial». Isto é o pensamento único e o impor de uma ditadura, tudo feito por obra e graça da legalidade democrática.
O assessor de segurança do presidente Obama, James Jones, afirmou o seguinte: «Recebo as minhas ordens diárias do Dr. Kissinger »!!! É caso para perguntar, quem manda, Obama, que foi eleito, ou Kissinger? Kissinger faz parte da elite globalizada, e é dele a célebre frase, «A fome pode ser um bom instrumento para o controlo das populações», assim como fazem parte também os Rockefeller, os Rothschild (esta família é protectora do francês Sarkozy e do inglês Gordon Brown), James Baker, etc. etc.
E os políticos o que são no meio disto tudo? Ídolos artificiais que são fabricados pelos departamentos de marketing, publicidade, e canais de televisão privados pertencentes às elites.
Os idealistas, os verdadeiros, os que estão dispostos a entregar-se de corpo e alma a uma missão política generosa e digna escasseiam cada vez mais, e também se afastam de toda esta podridão moral.
As elites poderosas e ricas têm o poder económico, político, judicial e dos media. Os pobres e o resto dos cidadãos já só querem poder viver.
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

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