A tradição ainda é o que era, ao contrário do que muita gente pensa. E por isso lá fui mais uma vez ao IndieLisboa, este ano com muitas surpresas e poucas desilusões, nas 21 sessões a que assisti.

Pedro Miguel Fernandes - Série BNo total foram 21 as sessões que consegui ver este ano, uma autêntica maratona, mas como quem corre por gosto não cansa, esta canseira de andar a correr de uma sala de cinema para a outra compensa. Este ano a viagem começou na Roménia, com «Boogie», de Radu Muntean, um filme sobre um homem de 30 anos, casado e com filho, que decide recordar a juventude numa noite de copos com os amigos que não via há anos.
Durante o festival ainda consegui ver outro filme deste país, «The Happiest Girl in the World», primeira longa metragem de Radu Jude. Ambas as fitas provam uma vez mais que os jovens realizadores romenos têm cartas para dar.
Outra das paragens obrigatórias no Indie é a América Latina, representada por obras de países como o Brasil, Chile e Argentina, este último com dois filmes a competir pelo prémio máximo. Curiosamente tive oportunidade de ver os dois no mesmo dia. Se «Una Semana Solos» deixa um pouco a desejar, apesar de ter sido produzido por Martin Scorcese, já «Águas Mil» é uma comédia agridoce que nos leva a conhecer uma família à beira de um ataque de nervos com um visitante misterioso durante umas férias que se esperavam pacificas. Do Chile o filme «Tony Manero», a história de um sósia de John Travolta da época da «Febre de Sábado à Noite» que tudo faz para vencer um concurso televisivo, também merece destaque.
IndieLisboa 2009Do continente asiático, região que me agrada do ponto de vista cinematográfico, assisti já no final a «Breatlhess», uma boa estreia do realizador sul coreano Yang Ik-june, um filme algo violento, que nos deixa de certa forma desconcertados na cadeira do cinema. Mas no fundo são estes filmes que mexem connosco e nos fazem gostar de cinema, ao vivermos o que se passa com as personagens.
Pelo meio vi ainda alguns documentários, dois dos quais foram para mim dos melhores filmes do certame. «Young@Heart», que retrata os ensaios de um coro de idosos, cuja média de idades ronda os 80 anos, especializados em temas rock e punk. Uma autêntica lição de vida, pois estes simpáticos velhinhos ensinam-nos em quase duas horas o gosto de viver. No outro extremo, surge «L’Encerclement», um documentário canadiano, que venceu o prémio do público, que consiste em 16 entrevistas a vários investigadores sobre neoliberalismo. Uma excelente reflexão sobre esta teoria económica, que ajuda a compreender algumas das questões que se passam no mundo actual. Ideal para esta altura de crise.
Por fim resta só dizer que «Ballast», a estreia na realização do norte-americano Lance Hammer, foi o vencedor do prémio principal do IndieLisboa. Sobre esta fita não poderei falar, pois infelizmente não a consegui ver.
«Série B», opinião de Pedro Miguel Fernandes

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