Todos os anos, no dia 3 de Maio, Aldeia da Ponte festeja o Santo Cristo ou Santa Cruz, também assim denominada, sendo considerada uma das maiores festas religiosas da nossa Aldeia, juntamente com a festa de Santo António, transportando um simbolismo marcante nas pessoas, que já se perde nos tempos.

Esteves Carreirinha - Ecos da AldeiaComo é hábito, a festa deste ano arrancou na véspera, dia 2, a meio da tarde, com a chegada da Banda de Música de Gouveia, efectuando a arruada pelo povo, antecedendo a procissão nocturna do andor para a Igreja, com o lançamento dos foguetes e fogo de artifício, nas proximidades.
No dia seguinte, bem cedo, como manda a tradição, a alvorada irrompe pelos céus, marcando o início deste dia especial, com a Banda de Música a dar a volta pelas ruas da Aldeia, antes da cerimónia solene da Santa Missa em honra de Santo Cristo, sendo esta acompanhada, por alguns elementos da Banda, dando um brilhantismo e um cunho diferentes do resto do ano.
Consumada esta cerimónia, a procissão em direcção à Capela, mesmo em frente ao Lar, que ostenta o seu nome, acompanhado de todo o povo.
Depois da procissão tem lugar o almoço da festa, onde os Mordomos convidam, essencialmente, a família e um ou outro amigo mais chegado. Terminado este, forma-se a romaria, acompanhada pela Banda de Música, a casa dos novos Mordomos, nomeados na Missa, para a passagem do testemunho, com a largada de alguns foguetes para celebrar a nova mordomia.
Santo Cristo tem uma Irmandade, já bastante antiga, com algumas atribuições estabelecidas, principalmente nas despesas, acompanhamento dos funerais dos Irmãos e algumas outras. Estabelecem, também, as normas, que só podem ser nomeados Mordomos, os homens casados e, só estes, da Irmandade.
Festa do Santo CristoQuando esta festa ocorre num fim-de-semana, é certo e sabido que aumentam as presenças de naturais de A. Ponte, como facilmente se depreende, vindas de todos os cantos, assim como alguns residentes no estrangeiro, que não dispensam, todos os anos, a sua vinda, apesar de percorrerem um longo caminho.
Tal como em algumas povoações da nossa zona, Santo Cristo é muito venerado, pelo que representa para todo o povo, sendo considerado o Santo protector das sementeiras e colheitas.
Antigamente era frequente e habitual, em épocas onde a chuva tardava em aparecer, o povo recorrer a Santo Cristo, transportando a sua imagem para a Igreja Matriz, aqui permanecendo, até que os pedidos da povoação fossem satisfeitos, através da oração, com a queda da chuva, irrigando os campos ressequidos, permitindo, assim, melhores colheitas a todo povo, sendo depois transportado em procissão, de volta à sua Capela.
Também para os animais que contraíram alguma doença, era usual e, creio que ainda é, recorrer com preces à Santa Cruz, afim de os proteger e os livrar do «mal» com que foram acometidos.
Com uns dias de sol esplendoroso, celebrou-se uma festa bonita e cheia de religiosidade, na sequência do que tem ocorrido ao longo dos anos.
«Ecos da Aldeia», opinião de Esteves Carreirinha

estevescarreirinha@gmail.com

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