Surgidos em 1980, os Roxigénio eram do Porto. A comandá-los estava o vocalista António Garcez, que tinha estado nos «Psico» e nos «Arte & Ofício», duas das principais bandas de Rock, da década de 1970, em Portugal.

Joao Aristides DuarteOutro dos membros dos Roxigénio era o guitarrista Filipe Mendes (actualmente conhecido como Phil Mendrix), outro nome mítico do Rock português, já que pertenceu aos Chinchilas, um conjunto dos anos 60 e, depois, aos Heavy Band e Psico.
Os Roxigénio cantavam em inglês. António Garcez foi uma das figuras mais polémicas do boom do Rock português, na década de 1980, quando os Roxigénio correram Portugal a dar concertos. Embora ele e os restantes membros da banda não tivessem aparecido com o boom, até porque cantavam em inglês (contra a corrente), foi nesta época que conseguiram o seu maior destaque. Garcez chegou a ser considerado o melhor vocalista português, nesses tempos. Além disso, António Garcez produzia algumas declarações polémicas nos meios de comunicação social, como aquela em que afirmou que os Roxigénio estavam vinte anos à frente de Rui Veloso.
António Garcez vive, hoje, nos Estados Unidos. De vez em quando mantenho contacto com ele, através de correio electrónico.
Apresentaram-se ao vivo no dia 13 de Novembro de 1982, na vila do castelo de cinco quinas.
O concerto no Sabugal realizou-se num pavilhão, onde funcionava uma serralharia, à saída para Vilar Formoso, uma vez que o Cine-Teatro já não reunião as condições mínimas de segurança. Por isso, e como esse pavilhão já era fora da área urbana da então vila, quem fazia a segurança era a Guarda Republicana e não a Polícia, como acontecia nos restantes Bailes de Finalistas a que assisti, no Sabugal.
A sua formação, aquando do concerto do Sabugal, era constituída por António Garcez (voz), Filipe Mendes (guitarra), Fernando Delaere (baixo), Hipo Birdie (bateria) e Frederic (guitarra).
Os Roxigénio já tinham editado três álbuns e um single, aquando da sua presença no Sabugal.
Este foi, aliás, um dos últimos concertos da banda, antes de dar por findas as suas actividades.
Lembro-me que era uma noite muito fria e havia algum nevoeiro.
O pavilhão estava a abarrotar. O palco era bastante alto e não era muito grande. Antes do concerto com os Roxigénio actuaram os Vector, uma banda de covers, que tocava muitos temas em voga na época e não só. Lembro-me bem de tocarem alguns temas de uma das bandas minhas preferidas, que eram os Tom Robinson Band.
O concerto dos Roxigénio iniciou-se com «Stiff Nicked Obstinated», um dos maiores sucessos do grupo. Abruptamente, Garcez fez um gesto e mexeu nas cordas da guitarra de Filipe Mendes, tendo este terminado de tocar o tema. Penso, que nesta época ainda não se usavam as set lists ou alinhamentos, que hoje, os grupos colocam no palco. Era tudo mais à base do improviso.
Assim, o concerto recomeçou com outros temas , tais como «My Vocation», «Rock’N’Roll Men», «A Respectable Man», «Lili», «Dizzy Miss Susie», «I’ll Find The Way» ou «What Can I Do?», todos originais da banda, e editados nos seus discos.
Para o final foi, então, reservado o tema «Stiff Nicked Obstinated», que Filipe Mendes tinha só começado, no início do concerto. Foi um concerto bastante bom.
Nas imagens podemos ver o bilhete do concerto e uma fotografia onde estou eu, o meu irmão e outro rapaz do Soito, no concerto dos Roxigénio, no Sabugal. Dá para ver as colunas de som dos Roxigénio, lá atrás.
«Música, Músicas…», opinião de João Aristides Duarte

akapunkrural@gmail.com

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