Nuno de Montemor, escritor, natural de Quadrazais, é mais conhecido pelo livro de índole regionalista «Maria Mim». No entanto escreveu também, em verso branco, uma sentida homenagem à mãe, intitulado «Quando se tem Mãe», que dedicou: aos felizes dos que têm mãe, saudosos dos que um dia a tiveram, e aos desgraçados dos que nunca a conheceram.

José MorgadoTambém uma das preocupações de Júlio Dinis, foi o não esquecer nunca a sua mãe, que perdeu na idade de menino. Foi com ternura que se refere à expressão maior e mais nobre que existe nos dicionários de todas as línguas, criticando já na altura o degradar do papel de mãe na sociedade.
São dele os seguintes pensamentos de há cerca de 150 anos:
«…que da maneira porque as coisas vão, cedo veremos desaparecer da cena social, essa poética e amável entidade, esse tipo afectuoso e cândido a que chamamos Mãe, a mulher sublime, que desde que o mundo é mundo, tem inspirado tantos escritores e artistas, que tem sido o anjo da guarda das frágeis criancinhas, a confidente natural dos primeiros segredos do coração, a fada que pela magia do seu amor extremo serenava a revolta das paixões; essa mãe tende a desaparecer; mais algum tempo e tornar-se á lendária; não as encontrará junto desse berço donde a moda terá conseguido arrancá-las para as substituir pelas amas mercenárias; depois vem a época da educação e esta exige cuidados e atenções, para as quais falta a paciência á nervosa dama. Que sem grandes prejuízos dos negócios do toucador, se não poderia entregar a eles; a preceptora é um tipo exótico e de procedência britânica que eu do coração detesto; a directora do Colégio não gasta tempo nas delicadas e metafísicas sondagens das consciências sempre que a rebelião, se não revela em actos, embora esteja presente nos espíritos; a Mestra é quando muito como o director de uma oficina de fundição que recebe de fora, os moldes em que tem de vazar os metais mais diversos, confiados aos seus cadinhos e procede a essa obra com escrúpulo, mas sem inspirações, a Mãe é o artista que a golpe de cinzel vai modelando, vendo-a a sua obra a tomar vulto e expressão.»
«Terras entre Côa e Raia», opinião de José Morgado

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