A honra dos néscios é inglória.

António EmidioSão pessoas a quem a sociedade respeita pela sua posição social, embora a maior parte delas seja gente sem um mínimo de valor, principalmente no campo da ética e da cultura. Têm dinheiro.
Deve ser maravilhoso uma pessoa sentir-se importante. Digo isto porque há muita gente a tentar sê-lo, vivem numa ansiedade constante de subir degraus na escala social até serem celebridades. E o que é a vida interior dessa gente? Um deserto, porque não lhe dão valor, esquecem que sem vida interior os troféus e as vitórias externas são insignificâncias e bluffs. E será que são assim tão importantes como pensam? Na maioria dos casos não o são, e nem dão conta disso porque vivem alheadas da realidade.
Se esses são os importantes, o que são estes que vou mencionar? Os que anonimamente vão a diário para o seu trabalho, para as fábricas, para as escolas, para os colégios, para as universidades, organismos públicos, para o campo, para o mar, para as minas, para os hospitais, centros de saúde, cafés, restaurantes, etc. etc. etc.. São estas pessoas que com o seu trabalho decidem o destino de uma Nação. E é a esta classe trabalhadora que mesquinhos governantes, alguns dos tais muito importantes, tratam a pontapé, sabendo que sem eles não usufruiriam de chorudos ordenados e de outras prebendas. São gente secundária, como secundários são os oligarcas que possuem a riqueza do País subtraindo-a ao resto dos cidadãos. Temos que juntar a isto, o beautiful people, os parasitas das revistas de coração.
Por causa de mal entendidos, e más vontades, vou dizer uma coisa que era escusado dizer: há nesta hora histórica que nos toca viver, moralmente baixa, embrutecida e corrupta, homens e mulheres honrados que nos seus lugares políticos fazem o humanamente possível para serem úteis e servirem dignamente o seu País, a sua Autarquia e os seus cidadãos, compreendido?
Não podia terminar o artigo sem contar uma história passada há muitos anos com uma pessoa importante que nessa altura era parlamentar da Nação. Estava eu a dialogar com ele sobre a regionalização, não a queria, e o argumento invocado pelo parlamentar para a rejeitar foi o seguinte: «Isto vai dar origem a muitas ETA’s», referindo-se ao grupo separatista basco. Fiquei atónito, apaguei o cigarro – ainda fumava nessa altura – fui para a sala de conferências, e o «importante» lá ficou sentado no sofá, com ar de quem estava a pensar muito seriamente no assunto.
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

ant.emidio@gmail.com

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