O Teatro Municipal da Guarda (TMG) comemorou ontem, dia 25 de Abril, quatro anos de actividade e o seu director, Américo Rodrigues, disse na sessão comemorativa lamentar que o Ministério da Cultura não apoie o projecto.

Visita ao TMG guiada por Américo RodriguesAmérico Rodrigues, reafirmou algo por que há muito luta: a necessidade do Ministério da Cultura apoiar o funcionamento desse importante equipamento cultural do interior do País. O TMG não recebe apoios governamentais apenas porque este é gerido por uma empresa municipal, a Culturguarda, funcionando o equipamento apenas com os apoios da Câmara Municipal. «O Ministério da Cultura não resolveu o problema que é apoiar os teatros geridos por empresas municipais, porque não podem concorrer aos apoios às artes», lamentou Américo Rodrigues na sessão evocativa.
Para o director do TMG esta falta de apoio por parte do Ministério da Cultura é uma profunda injustiça, tendo em conta as provas que o TMG tem dado, pois mantém «uma programação de qualidade, diversificada e dirigida a todos os públicos». Esta é uma situação lamentável porque «o que seria desejável era que o Ministério da Cultura olhasse para a paisagem cultural do país e dissesse que é determinante que estas estruturas sejam apoiadas porque fazem um trabalho de qualidade e reconhecido».
António Pedro Pita, Delegado Regional da Cultura do Centro, confrontado pela Agência Lusa com as preocupações do director do TMG, disse que as modalidades de apoio só poderão ser equacionadas quando forem definidas «as condições do novo mapa cultural» do país. «Sem este mapa estar definido não faz sentido estar a abordar questões financeiras para estes equipamentos», acrescentando que «a rede depende de um calendário» sobre o qual não quis pronunciar-se. Contudo admitiu: «Há um mapa informal, agora, temos que decidir se queremos ou não dar-lhe uma forma mais acabada».
O responsável reconheceu ainda à Lusa que o TMG desempenha «um lugar fundamental» na rede de teatros e cine-teatros.
O TMG é um complexo de grande qualidade arquitectónica, composto por dois cubos gigantes, localizado no centro da cidade da Guarda, junto do antigo Convento de São Francisco. Integra o grande auditório (com capacidade para 626 pessoas), o pequeno auditório (com capacidade para 164), o café-concerto e uma galeria de exposições. A sua construção custou cerca de 10,5 milhões de euros.
Foi inaugurado em 25 de Abril de 2005, e tem mantido, sob a orientação de Américo Rodrigues, uma intensa actividade cultural. Nos quatro anos de funcionamento realizaram-se largas centenas de espectáculos e passaram pelo complexo mais de cem mil pessoas, o que o torna num dos mais activos espaços culturais do interior do País.

Parabéns a Américo Rodrigues pelos quatro anos de intensíssima actividade do TMG, cujo projecto nasceu da sua luta persistente pela valorização da cultura na cidade da Guarda.
plb

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