António EmidioOs que não podem recordar o passado, ou não querem, estão condenados a repeti-lo.

Não acordei, não quero acordar desse sonho que foi o 25 de Abril de 1974. Foi daqui, da então Vila do Sabugal, que assisti a tudo através da televisão e da rádio, não tive o privilégio de estar em Lisboa, mas depressa eu, e toda a gente, se apercebeu da chegada da Democracia e da Liberdade.
E agora, passados 35 anos, o que resta de Abril? Quase nada. Vou transcrever umas palavras de Salvador Allende, as últimas antes de ser abatido a tiro. Nada têm com Abril, mas leia-as com atenção leitor(a):
25 de AbrilTrabajadores de mi pátria: tengo fe en Chile y su destino. Superarán otros hombres este momento gris y amargo donde la traición pretende imponerse. Sigan ustedes sabiendo que mucho más temprano que tarde de nuevo se abrirán las grandes alamedas por donde passe el hombre para construir una sociedad mejor. Viva Chile! Viva el Pueblo! Vivam los trabajadores! Estas son mis ultimas palabras. Tengo la certeza de que mi sacrifício no será en vano. Tengo la certeza de que por lo menos será una leccion moral que castigará la felonia, la cobardia y la traición.
Allende foi assassinado, e os democratas chilenos mortos e torturados, para ser imposta no Chile a teoria neoliberal, a mesma que atirou Portugal para a ruína moral e económica em que estamos presentemente. Aqui não se necessitou de nenhum golpe de estado, traiu-se Abril e a Democracia.
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

ant.emidio@gmail.com

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