Esta semana comemora-se o 25 de Abril, o dia mágico, em que os Capitães de Abril, como foram celebrizados, devolveram a democracia ao povo, depois de 48 anos de ditadura, onde não havia liberdade de expressão, sendo a de opinião, cerceada, amiúde.

Esteves Carreirinha - Ecos da AldeiaJá lá vão 35 anos de uma democracia, onde nem tudo foram rosas, principalmente, nos primeiros anos do PREC, Período Revolucionário Em Curso, onde a luta pelo poder foi muito acesa, cometendo-se muitos atropelos e excessos, não há como escondê-los, a história lá os foi desbravando, devido, sobretudo, a uma ânsia grande de poder e protagonismo, acrescido também de alguma falta de experiência e emoções exacerbadas, levando a tentativas de golpes e contra-golpes, atentados à bomba, quando isso convinha a quem os mandou executar, causando algumas baixas.
Durante este tempo, também se foi formando uma consciencialização positiva, com uma nova mentalidade, ajudando a compreender melhor a situação política, que acabava de dealbar.
A liberdade conquistou-se com a ajuda dos militares, foram determinantes no golpe dessa madrugada de 1974, alguns da nossa zona, como o amigo Natalino Fernandes, do Baraçal, que avançou com Salgueiro Maia, de Santarém, em direcção a Lisboa, ao Quartel do Carmo, porventura ainda alguns mais, nas diversas zonas fulcrais do Movimento dos Capitães, mas também com inúmeros outros, fora da esfera militar, que lutaram, abnegadamente, ao longo das suas vidas. A todos estes, também temos que estar agradecidos, pela sua luta e perseverança, em busca de um novo ideal.
Todo o movimento dos militares no Quartel do Carmo, a chegada do General Spínola, a entrada do Dr. Marcelo Caetano na chaimite da tropa, para ser protegido e levado ao aeroporto, as palavras de ordem que ali foram gritadas durante a tarde, tudo isto exerceu um fascínio difícil de descrever, em todos os que por lá permaneceram.
Uma semana depois, o espectacular primeiro, 1.º de Maio, passe a redundância, comemorado em liberdade e euforia, acompanhando a enorme manifestação, que decorreu desde o Martim Moniz, subindo a Av. Almirante Reis até ao Estádio 1.º de Maio, a abarrotar de gente, seguindo-se os discursos dos lideres, regressados do exílio, com destaque para Mário Soares e Álvaro Cunhal, entre outros.
O que me move, apenas, é recordar aqueles dois dias, plenos de simbolismo, que representaram uma nova vida, em termos de liberdade e democracia para a nossa geração, esta beleza singela, em directo, focando sobretudo, as explosões de alegria e as manifestações espontâneas de contentamento dos populares, vividas nas ruas de Lisboa, a que se seguiram as discussões de interesse politico e de poder, que por pouco, não descambaram em consequências desastrosas, como uma eventual guerra civil, estando próxima, deitando tudo a perder, depois de bastos esforços dos que se empenharam.
Parecia que nada se sabia, antes da tentativa do denominado golpe das Caldas da Rainha, um mês antes, dando a impressão de ignorância politica, fosse por cautela e medo da PIDE, ou porque razão fosse e, de repente, tudo se transformou, como por artes mágicas, toda gente passou a ser catedrática da democracia, num clic!…
Comemorar o 25 de Abril de 1974 é fundamental pelo que representa, independentemente do que a história registará, não adiantando muito, atirar-se o ónus das culpas que não convêm, para o vizinho do lado. Haverá, por certo, responsabilidades a repartir, seja pelo voto ou pela abstenção deliberada, deixando para outros, o que poderíamos ajudar a resolver, com mais e melhor participação.
«Ecos da Aldeia», opinião de Esteves Carreirinha

estevescarreirinha@gmail.com

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