O território do Sabugal tem valores únicos a nível nacional, europeu e mundial que obrigam a um trabalho competente e profissional na sua defesa e promoção e nos quais a Câmara e as Associações do concelho têm obrigação de se envolver de forma pró-activa dando disso conhecimento público aos cidadãos e aos seus sócios até porque estão em causa dinheiros públicos. Aproveito para falar das concentrações hípicas e da Festa do Mundo Rural, dois temas que devem merecer a nossa reflexão.

Passeio concentração da Associação Hípica Amigos do Cavalo (Foto de Kim Tutatux)Decorreu no último fim-de-semana de Março, entre a Praça de Touros do Soito e o Complexo Turístico da Quinta das Sereias, uma concentração organizada pela Associação Hípica Amigos do Cavalo que reuniu mais de 100 cavaleiros. A direcção, recentemente eleita, delegou nos irmãos André e Miguel Nabais (dois juniores orientados pelo pai João) e no sénior João Carvalho a organização do evento que correu a contento e com grande participação. Mereceu destaque no Capeia Arraiana, na LocalVisãoTv e em outros órgãos da região e serviu para um grande trabalho do repórter fotográfico Kim Tutatux que pode ser visto Aqui.
No dia anterior tinha tido oportunidade de falar com um casal holandês, radicado no Algarve, que estava hospedado em Sortelha, na quinta do Mesquita, e que se mostravam surpreendidos com a beleza natural das terras raianas. São proprietários de vários cavalos e colocavam a hipótese de se mudarem para a nossa região.
Os Fóios são ponto de passagem, e de paragem obrigatória para refeição, de muitas concentrações de cavaleiros portugueses e espanhóis que transformam o ambiente e a paisagem acrescentando-lhe ainda mais beleza (acrescentei o «ainda mais» para que o presidente José Manuel não se zangue comigo) e salero. É bonito de ver e ouvir a empatia entre cavalo e cavaleiro, o «ar vaidoso» dos cavaleiros e a música do trote das montadas.
«Concentrações de cavalos existem em muitos lados» é a resposta fácil. Sim! Mas… é um valor que pode ser transformado com competência em oportunidade. A interioridade das terras do Sabugal é uma oportunidade. A Raia é uma oportunidade. Desafio a Associação Hípica Amigos do Cavalo a preparar aquilo a que se poderá chamar «I Concentração Hípica Ibérica» e que poderia transformar-se num acontecimento ibérico ou mesmo europeu. Foi assim que começou a Concentração Motard de Faro e se transformou num evento grandioso onde já tivemos (eu, a Ana e a Transalp) a felicidade de participar vários anos. A data certa? A Festa do Mundo Rural seria um momento perfeito para uma concentração hípica. O número? 1000 participantes seria um número mágico para a primeira edição.
Em declarações recente da presidente da Pró-Raia, Lurdes Saavedra, ficámos a saber que está previsto para o Soito a quinta edição da Festa do Mundo Rural, um evento organizado em conjunto com a Câmara Municipal do Sabugal. A associação pretende, igualmente, levar a efeito, lá mais para o Verão, a Mostra da Juventude. As iniciativas resultam do PACA – Plano de Aquisição de Competências e Animação que dinamiza e agrega todas as acções de desenvolvimento da economia rural e está integrado no PRODER e de que a Pró-Raia é um parceiro privilegiado.
E por falar em festas, recordo outro acontecimento concelhio, a Festa da Europa, com um programa recheado em 2008 que incluiu o Grande Prémio de Atletismo do Baraçal, onde a ADES sorteou um automóvel entre os atletas participantes. E por falar em ADES recordo as duas (?!) actividades culturais e de promoção do concelho disponíveis na página da Associação e previstas para 2008: «Pintar Sabugal 2008» e «Colóquio sobre cozinhas tradicionais» (ver Aqui.) faltando ainda divulgar publicamente as propostas para o presente ano.
A ADES é, e deve ser, um veículo de desenvolvimento do concelho que tem uma área de intervenção bem definida e que pode ser consultada Aqui.
Esteve, aliás (e muito bem) na primeira linha da luta contra o fecho das urgências no Sabugal mas não esteve (e devia estar) solidariamente com os pais e alunos que, emotivamente, pediam no início do ano lectivo que não lhes fechassem as escolas primárias. Uma escola primária fechada é um enorme passo atrás no desenvolvimento do nosso concelho e promove o afastamento das crianças das suas referências.
Todos somos poucos para defender o concelho do Sabugal. Mas… entre aqueles que perguntam «O que posso fazer pelo Sabugal?» e «O que pode o Sabugal fazer por mim?» estou, convictamente e de consciência tranquila, entre os primeiros.

Adoro notas de rodapé. Aqui ficam mais três:
1 – O futebol já foi, para mim, uma paixão. Durante mais de 12 anos vivi, dia-a-dia, no jornal «A Bola» os aspectos positivos e negativos do desporto-rei em Portugal. Recentemente um árbitro e um dirigente desportivo foram a tribunal acusados de corrupção. Não se provou a corrupção mas provou-se que o dito árbitro tinha estado em casa do presidente de um dos clubes envolvidos no jogo do fim-de-semana seguinte que este iria dirigir. Deixando de lado as coisas da justiça é curioso como alguns anónimos aspirantes a árbitros professam… (perdão) proferem decisões sobre jogos a que não gostam de assistir. As ofensas pessoais anónimas têm sempre a «assinatura» de dois tipos de pessoas: aqueles que ladram à voz do dono ou aqueles que, como gostava de dizer o meu saudoso pai, se alimentam da palavra com que o grande poeta Luís de Camões terminou o último verso dos Lusíadas. De qualquer forma, e em relação ao aspirante a árbitro, até da bancada foi visível que não está em forma, mostrou cartões a faltas inexistentes, marcou penalties que só ele viu e validou uma jogada em que golo foi marcado com a mão e em nítida posição de fora de jogo.
2 – Por falar de competências e valores de aspirantes a categorias profissionais que exigem muita leitura, muito estudo, muito trabalho e… muita vocação aconselho a leitura da Lei de Imprensa (em especial o artigo 3.º que define os limites e o direito ao bom nome) e do Código Deontológico dos Jornalistas.
3 – O Blogue Capeia Arraiana é publicado diariamente na Internet desde o dia 6 de Dezembro de 2006. A data vale o que vale.

«A Cidade e as Terras», opinião de José Carlos Lages (jcl)

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