Decorreu no dia 11 de Abril, tal como anunciado, a IV Capeia da Páscoa organizada pela Associação Juventude Pontense, na Praça de Touros de Aldeia da Ponte.

(Clique nas imagens para ampliar.)

Esteves Carreirinha - Ecos da AldeiaCom um tempo ameaçador de chuva, ao longo da semana, mais os ventos frios, sempre incómodos, o dia raiou com uma mescla de nuvens e abertas, embora com algum frio, que dispensávamos de boa vontade, mas que se há-de fazer? Quem pode, manda e, há que acatar o que vem lá do alto dos céus. Chuva, frio, vento ou neve, lá nos «prantamos» para acompanhar as incidências de mais uma Capeia da Páscoa na nossa Aldeia.
Pouco passava das oito da manhã, quando se iniciou a longa caminhada, dividida em duas partes, a primeira, da quinta do Zé Noi, nos Forcalhos, até aos lameiros na raia de Espanha, merendando aqui os cavaleiros e, a segunda caminhada, em direcção à Praça, sendo esta bastante mais acompanhada, concluindo-se o Encerro, por volta do meio-dia.
Logo na saída da quinta, dois dos touros resolveram que este não era o seu dia e, toca de fugir a quatro patas, as que têm, claro, de nada valendo as tentativas dos cavaleiros para os juntar aos outros, mais os cabrestos, seguindo, ordeiramente, ladeados por uma imensidão de cavaleiros, até ao seu primeiro destino. Destaque para o curto trajecto, a passo, na estrada de Albergaria, com uma panorâmica espectacular, só visto, pois contado, fica aquém, tal a quantidade de cavaleiros, mais os que já acompanhavam este magnífico cortejo, seguindo os touros e cabrestos. Quem teve oportunidade de filmar ou tirar fotos, facilmente o comprovará.
Saboreada a merenda e, depois de umas breves palavras do Presidente da A.J.P, João Nunes, inicia-se o caminho até à Praça, com tudo a decorrer bastante bem até à entrada nas cancelas, eis senão, quando um dos cavaleiros sofre uma queda, com a escorregadela do cavalo, sendo por este abalroado, já depois de transposta a estrada, ficando prostrado no chão, com perda momentânea dos sentidos, causando alguma apreensão em todos os que o socorreram e rodearam, com destaque para os seus companheiros, cavaleiros do Encerro, que não arredaram pé, acabando para eles o Encerro, que importava este, naquele momento, observando o companheiro a ser, prontamente, socorrido pelos Bombeiros do Soito, imobilizado e transportado na ambulância ao Centro de Saúde de Sabugal, depois para a Guarda, para melhor poder ser avaliado e tratado. O Quim Zé não ganhou para o susto, encontrando-se já a restabelecer em casa, sem consequências de maior, depois de lhe ter sido dada alta do Hospital da Guarda. Diz, quem melhor presenciou, que quando acordou, a primeira preocupação do nosso amigo, foi perguntar como estava o seu cavalo.
Passada esta angústia, é preciso sublinhar isto, pois são coisas que podem acontecer a qualquer um, bastando alguma falta de sorte e nada mais que isso, não cremos que tenha sido por outro motivo, apenas um momento menos bom e inesperado de azar.
Nada mais se podia fazer, restando-nos aguardar por notícias animadoras, que haveriam de chegar, lá mais para a tarde.
Seguiu-se o touro da prova, também inesperado pois, como não quis entrar para os curros, a rapaziada não perdeu mais tempo e esperou-o logo, ao Forcão, ficando despachado.
Devido a esta teimosia do touro, também os cavaleiros já não entraram na Praça, para a volta de honra, a exibição das montadas e os aplausos de uma Praça muito bem composta de público, até parecia estarmos em Agosto.
Como é habitual, arrumaram-se as cancelas, antes do almoço dos cavaleiros, bem concorrido, mais os que quiseram aparecer, nos Balneários.
Este é um dos belos momentos de alguma descontracção e acalmia, depois das emocionantes peripécias de uma longa manhã, iniciada bem cedinho.
A tarde tem início com o Passeio da Praça, pela juventude na arena, acompanhada pelos Tamborileiros de Aldeia da Ponte, equipados a preceito, com uma nova e bonita indumentária, dando colorido ao Passeio, com o Presidente da A.J.P. a pedir a Praça ao Chico Sara, seguindo-se os «Vivas» do costume.
Entra o primeiro da tarde, sendo bem esperado ao Forcão pela rapaziada presente, acontecendo um segundo caso de algum azar, já não bastava a manhã, o jovem Miguel Leal, do Soito, teve a infelicidade de ser apanhado pelo touro ficando algo contundido numa perna, tendo de ser assistido, primeiro na Praça, sendo depois transportado ao Hospital.
Mala pata, pela segunda vez, na mesma Capeia, mas como se costuma dizer, quem anda à chuva, molha-se, e foi o que se verificou. Acontece, a quem arrisca e anda lá dentro, nada que não se passe em outras alturas, principalmente em Agosto, devido à proliferação de Capeias.
Apesar de algum frio, os touros foram todos corridos e esperados, um após outro, pela rapaziada, até final, não se verificando mais nenhum incidente, acabando a Capeia, com a habitual frequência do Bar da Praça, onde se esmiúçam mais uns comentários da jornada, acompanhados de uns bons copos, pois então, retemperando as energias gastas na faena das esperas ao Forcão e nas lides dos touros.
Pela noite, nos Balneários do Vale, prosseguiu a festa, proporcionando a A.J.P. um Karaoke a condizer, onde a animação foi mais que muita, até às primeiras horas da matina.
Está de parabéns a juventude da nossa Aldeia, liderada pela Associação Juventude Pontense, que organizou mais uma bela Capeia com touros a condizer, acrescida com um espectacular e belíssimo Encerro, estando, também, de parabéns, a “cavalaria pesada”, foram imensos, embora, uma grande parte, vá em ar de passeio, como todos observamos, mas de modo algum, deixam de ser importantes, proporcionando uma magnifica jornada a toda a raia sabugalense.
A Direcção da A.J.P. manifesta o seu agradecimento pelos contributos, pela disponibilidade e acompanhamento desta IV Capeia da Páscoa de 2009.
Um bem-haja a todos.
«Ecos da Aldeia», opinião de Esteves Carreirinha

estevescarreirinha@gmail.com