Li num artigo de jornal o Dr. Mário Soares a lamentar a mediocridade dos dirigentes políticos europeus, usando até a expressão «dirigentes medíocres». Não é o primeiro a lamentar-se, nem foi o primeiro a aperceber-se de que quem governa hoje, é a incompetência, a arbitrariedade, a mentira, a repressão e a corrupção.

António EmidioTudo, porque a tal classe política perde cada vez mais, ou já perdeu totalmente a sua consciência ética. A razão principal deste estado de coisas prende-se com a época em que vivemos, ou seja, o ultraliberalismo, ou neoliberalismo. Num sistema económico destes os partidos políticos são a correia de transmissão do poder económico (onde está o dinheiro, está o poder), este por sua vez, só admite que chegue ao «poder» o governante que lhe satisfizer as suas ambições. Aqueles que se proporcionam a isso, a serem uns simples títeres, nunca podem ser os melhores, nem os mais capacitados, nem os mais honestos, são gente de baixa condição humana e ética, que se afastam do povo que os «elegeu».
Têm por meta servir-se a si próprios, satisfazer a sua ambição pessoal, e tirar vantagens da profissionalização da política. Tudo isto com o apoio dos corifeus da comunicação social, os media, que por sua vez são propriedade do poder económico. Esta promiscuidade vai adulterando cada vez mais a Democracia.
Que interessa a essa gente os nossos problemas? Rigorosamente nada, e para confirmar o que digo, basta olhar para as nossas sociedades. A democracia tipo ocidental, à qual nós presentemente pertencemos, não passa de uma ilusão do domínio da maioria. O verdadeiro poder está nas mãos de uma minoria de ricos que controlam a economia, controlando assim a vida de milhões de cidadãos que não têm poder para nada.
O Dr. Mário Soares tem razão, vamos então propor-lhe o seguinte: comecemos por casa, atiremos para a sarjeta da história aquele, e aqueles, que o poder económico escolheu para nos governarem, e não permitamos que os senhores do dinheiro e donos dos media, os substituam por outros iguais.
Agora, na altura da Páscoa, vamos pedir a Deus (os que quiserem) que tenha piedade de nós e não nos castigue mais com outro elenco de nulidades, talvez já preparado para substituir os que estão. É pedir muito?
Nada que não sirva o bem da humanidade merece ser detentor do poder.
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

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