Caso único em Portugal, a gíria do contrabando fez esta manhã dia 1 de Abril uma vez mais, prova de curiosidade jornalística na emblemática aldeia que a viu nascer na forma de uma reportagem da SIC proveniente de uma delegação da Covilhã.

Contrabando em QuadrazaisA reportagem consistiu numa recolha de imagens junto de alguns Quadrazenhos mais idosos, cuja prontidão em participar forneceu avultada matéria de trabalho aos jornalistas. Histórias do contrabando contadas na primeira pessoa, conversa em gíria entre dois antigos contrabandistas, cantares em gíria de umas rijas Quadrazenhas de 87 anos deram o mote final à entrevista.
Tenho pessoalmente alguma dificuldade em falar desta gíria, provavelmente devido à minha «nacionalidade Quadrazenha», e por ela representar para um dos símbolos máximos desta terra juntamente com a emigração.
Ela terá sempre que ser tida em conta em qualquer abordagem socioeconómica com o intuito de explicar o presente, não só da aldeia, como do próprio concelho do Sabugal. As razões que levaram ao seu aparecimento, uso e desuso, devem ser motivo de maior reflexão para entendermos o presente estado disfuncional da nossa população, tanto do ponto de vista etário como cultural. É uma reflexão para esta e outras aldeias, para o próprio concelho do Sabugal, a sua excessiva desagregação e desenraizamento ao longo da história (com invasões e imigrações sucessivas) terá colocado em cena a actual situação. Falta na minha opinião, nestas terras de Riba-Côa, ao contrário daquilo que por vezes é ventilado, uma cultura de orgulho que beba em raízes verdadeiramente tradicionais e agregadoras de uma alma comum, sem a qual não se pode arrumar a casa.
António Moura

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