A propósito da revista «Sabucale» e do artigo sobre «Armários de pedra na arquitectura tradicional do Alto Côa. Testemunhos de culto Judaico?» venho tecer algumas considerações. (continuação.)

Kim TutatuxOlhando na região as construções que mais trabalho têm são as destinadas ao culto religioso, mas se olharmos pelo mundo fora acontece o mesmo.
O homem sempre despendeu muitos dos seus recursos para adorar o seu Deus.
Outro aspecto curioso é a dimensão desmesurada, da casa onde actualmente se situa a «Casa do Castelo», relativamente a outras próximas que se destacam pela sua reduzida dimensão.
A «Casa do Castelo» possui uma dimensão muito superior a outras que há época pertenciam à maior parte da população e onde viviam as tais famílias com mais que seis pessoas, os animais e onde ainda se guardavam viveres para o rigoroso inverno.
Já temos aqui duas coincidências curiosas.
Um «armário» que deu mais trabalho a construir que uma parede completa e uma casa enorme se comparada com as outras, mas será que há mais algo para juntar a isto?
Casa do CasteloSe atentarmos, existiu uma parede interior colocada a sensivelmente 1,70 metros da parede exterior.
Então será no mínimo legitimo perceber, o que fazia aquela parede ali,
Perguntei a algumas pessoas com memórias mais antigas que há muito trabalham na arte de talhar a pedra, se sabiam de alguma razão para aquela parede ali estar.
Perguntei também se fossem eles a fazer aquela casa se fariam aquela parede.
A ambas as perguntas recebi como resposta um definitivo, não.
Então, já temos mais acasos, temos uma parede que parece não ter explicação, uma casa enorme e um «armário», mas mais curioso é que esse dito «armário» está nessa parede que não era necessário fazer.
Observando algumas fotografias tiradas aquando da demolição pela actual proprietária, podemos reparar que o classificado como «armário» estava colocado à altura do peito de um homem médio. (ver comparação na foto.)
Então será legitimo, no mínimo, colocar a questão sobre o que faria o construtor da casa despender tão elevado numero de recursos para construir um “armário” numa parede desnecessária a uma altura de difícil acesso para um homem médio?
Casa do CasteloMais uma vez vêm-me à memória as colossais edificações feitas para adorar os Deuses.
Então será que há mais algo que possa identificar o “«armário» com algo religioso?
Vejamos, os Católicos encerram a Hóstia num «armário», os Judeus encerram a Tora num «armário».
Os católicos tinham naquele largo uma igreja…
Os Judeus teriam….? Issooo!!!! Uma Sinagoga.
Então poderemos continuar a chamar aquele exagerado e trabalhoso «armário» um Armário.
Mas um “armário” especial, um Armário onde se guardava a Tora, onde se rezava a um Deus, um «Armário» que é muito mais que um «armário», é o testemunho de uma comunidade que existiu no Sabugal como em Belmonte ou na Guarda, e que teve poder, engenho e arte para prosperar nesta terra difícil e agreste.
E esse testemunho pode ser a Sinagoga do Sabugal.
«O Bardo», opinião de Kim Tomé

kimtome@gmail.com

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