Foi uma história bem contada aquela que nos conduziu até às aldeias bem antigas do nosso Portugal ainda desconhecido, como Castelo Mendo, Almeida, Sortelha e Aldeã del Bispo, já em território espanhol.

Passeio Todo-o-TerrenoA aventura, porque foi disso que se tratou, já que muitos dos quilómetros foram percorridos fora de estrada e em veículos 4×4, começou bem cedo em Fátima num sábado a ameaçar chuva, mas não passou disso mesmo.
Miúdos e graúdos, enfim, toda a família como é timbre destes passeios da «Tracção Total de Fátima» num total de 80 participantes distribuídos por 28 veículos todo-o-terreno rumaram ao norte mas bem lá para o interior por entre vales e serras com paisagens deslumbrantes que só os 4×4 nos podem proporcionar.
A anteceder a visita a Castelo Mendo, uma aldeia histórica do século XII, outrora concelho, e que veio a ser declarada monumento nacional no ano de 1946 em conjunto com o seu castelo medieval construído no século XIII por D. Dinis, toda a caravana montou arraiais num parque de merendas ali bem próximo e era chegada a hora do piquenique, entenda-se almoço.
O sol deu o seu contributo ao convívio onde não faltou animação e o habitual partilhar de saborosos petiscos, onde imperou o tradicional coelho à moda da Ortiga, sobremesas, café, tudo bem regado, pois claro, com o tinto cá da região.
Terminada a visita à Aldeia de Castelo Mendo, e por trilhos fora de estrada lá chegamos a Almeida para uma outra visita, agora ao Centro Histórico onde se destaca o Castelo, o antigo convento de Nossa Senhora do Loreto, actual igreja matriz e a Fortaleza que teve importante papel defensivo do território Nacional a partir do século XVI. Foi só em 1927 que perdeu a função de praça de guerra.
Retomados os trilhos, lá seguimos entre paisagens agrestes rumo ao desconhecido. É que, ao pararmos numa pequena aldeia e sem que disso a caravana se tivesse apercebido (excepção à organização), alguém perguntou a uma senhora onde estávamos. «En España! En Aldea del Bispo», respondeu «e vivo aqui há muitos anos, mas sou portuguesa e com muito orgulho».
A noite estava a cair, eram horas de rumar a Vilar Formoso para o jantar, muito bom, e alojamento em hotel de óptimas condições.
Para este dia a organização tinha reservado um passatempo interessantíssimo que ocupou grande parte do tempo. Era necessário preencher um questionário que incluía perguntas sobre pontos de visita e de passagem. Um outro questionário, que veio a revelar-se fatal para os participantes, incluía perguntas sobre o código da estrada. Uma reciclagem ao código não fazia mal a ninguém. À noite após o jantar foram anunciados os vencedores. Uns contemplados com viagens e outros com a oferta da anuidade das quotas de sócio.
Segundo dia de aventura, um domingo com céu cinzento, mas sem chuva e pouco frio. Como o previsto, a meio da manhã chegámos ao Convento de Nossa Senhora de Sacaparte e Cruzeiro que fica a dois quilómetros da freguesa de Alfaiates, concelho do Sabugal.
Do conjunto fazem parte alpendres onde se realizavam feiras, ruínas do Convento, igreja, chafariz, cruzeiro e fonte de mergulho. Anualmente realiza-se ali uma festa onde se juntam centenas de pessoas vindas de vários pontos do País. São festas afamadas.
Existem várias lendas sobre a origem do nome Sacaparte. Uma delas, dizem as «más línguas» que o nome se deve a que, como este caminho fazia parte da rota dos Caminhos de Santiago, os monges daqui sacavam logo parte do que os peregrinos levavam para Compostela, era o tributo que pagavam pelo alojamento.
E porque se tratava de um recinto propicio a festas, à volta de uns bolinhos e de um cálice de abafado, aconteceu um momento de animação musical com o Jó e o Lecas ao acordeão o Armando com o seu «ranhoso» transmitiram ali uma alegria contagiante que até permitiu um pezinho de dança.
Com passagem pelo Sabugal onde chegamos por trilhos, seguimos até à Aldeia Histórica de Sortelha, de fundação medieval datada do século XIII. Entre muralhas todas as casas foram recuperadas em respeito pelo seu traçado medieval e também aqui se encontram algumas infra-estruturas de apoio, como bares, restaurantes, casas de alojamento, enfim um espaço muito agradável e a convidar para uma outra visita mais pormenorizada.
Após um almoço delicioso servido ali mesmo entre muralhas, e, com a caravana disposta a acabar com o licor de morango servido num dos bares, veio uma forte chuvada, para retemperar a viagem até Fátima.
Foi um passeio agradável, bem organizado, e deixou em todos o desejo de voltar embora que por outros caminhos, mas de certeza a valer a pena. Portugal é muito grande em história.
Como nota final, fica um agradecimento à organização, pelo excelente passeio que nos proporcionou, em particular, aos directores da «Tracção Total de Fátima», Ricardo, Lecas e Valter. Bem-haja.
José Vieira Gonçalves (Notícias de Fátima)