Criar emprego para aumentar a população e dar oportunidades para que os jovens se fixem na zona da raia portuguesa e espanhola é um dos grandes objectivos do AECT-Agrupamento Europeu de Cooperação Territorial – Duero/Douro.

José Manuel CamposConstituída no sábado, em Trabanca (Espanha), a Assembleia Geral do AECT Duero/Douro deu a conhecer os seus estatutos e os principais objectivos de uma entidade com personalidade jurídica, que une zonas de dois países da União Europeia (UE). No texto, é possível ler-se que este é o quarto agrupamento formado no seio da UE, um exemplo para a Europa a 27, dado que é o primeiro agrupamento constituído em zonas rurais.
O director-geral do AECT, José Luís Pascual Criado, alcalde de Trabanca, explica que «este agrupamento é formado por 169 entidades de Espanha e Portugal. Tem mais de 2500 quilómetros quadrados e de 123 mil habitantes. Em Portugal, é toda a zona de Vinhais ao Sabugal». Como o próprio nome indica, o rio Douro é a espinha dorsal de um agrupamento que reúne autarquias e alcaldarias de Trás-os-Montes à Beira Interior, de Salamanca e de Zamora, no lado espanhol.
Depois da constituição dos órgãos do AECT, José Luís Pascual revela que «esperamos, para o futuro, um trabalho conjunto de portugueses e espanhóis. Esta entidade permite um desenvolvimento sustentável, a criação de [vários tipos] de serviços, emprego e aumentar as oportunidades dos nossos povos». Além disso, acrescenta o director geral, «permite-nos trabalhar com os fundos europeus. Antes estávamos alienados, mas agora estamos no centro da política europeia».
Entre as metas a perseguir pelo Duero/Douro encontram-se as políticas de emprego. A este propósito, José Luís Pascual comenta que «o principal objectivo é criar emprego nesta região, para aumentar a população. Queremos redireccionar os jovens e criar-lhes oportunidades que lhes permitam viver aqui».
Outros dos objectivos traçados são a criação de uma rede de transportes públicos para todos os cidadãos, o desenvolvimento de uma política de educação, formação e emprego, a cooperação no sector da saúde, a criação de medidas para o emprego rural, o uso da investigação, inovação e desenvolvimento e ainda a criação de um plano de turismo, sem esquecer a modernização da administração local. O AECT poderá também criar organismos e empresas, ou, pelo menos, auxiliar a sua implementação.

Eleições
Em pleno rio Douro, onde decorreu a reunião da Assembleia Geral, realizou-se a eleição dos membros de cada órgão. O presidente do AECT Duero/Douro é Vítor Sobral, de Vila Nova de Foz Côa, tendo como vice-presidente José Maria Martín Patino. O director geral é José Luís Pascual, sendo João Manuel Santos Henriques o coordenador territorial. De notar que, nestes órgãos, se um dos membros for português, o outro será obrigatoriamente espanhol e vice-versa.
No que toca aos membros dos conselhos sectoriais, encontram-se alguns autarcas sabugalenses. O Conselho Sectorial de Igualdade de Oportunidades, Desenvolvimento Económico, Investigação, Inovação e Desenvolvimento tem como presidente o alcalde de Roelos. Vila Boa pertence aos eleitos. O Conselho Sectorial de Desenvolvimento Local, Novas Tecnologias, Educação, Formação e Emprego tem na frente ao alcalde de Espeja. Joaquim Matos, presidente da Junta de Freguesia da Cerdeira do Côa, também pertence a esta entidade. Villaseco del Pan está no comando do Conselho Sectorial de Meio Ambiente, Desenvolvimento Sustentável, Agricultura e Ganadaria, ao qual também pertence Quadrazais. Já o Conselho Sectorial de Saúde, Serviços Sociais e Acção Social é comandado pelo autarca de Fóios, José Manuel Campos. O Conselho Sectorial de Turismo, Cultura, Património, Desporto, Ócio e Tempos Livres fica a cargo e Miranda do Douro, ao qual também pertence Malcata. Por fim, o Conselho Sectorial de Administração Local, Transportes e Comunicações fica sob a alçada da Câmara Municipal de Freixo de Espada à Cinta, com colaboração de Quintas de São Bartolomeu.

170 entidades
Além das autarquias, nos AECT’s podem ainda participar áreas metropolitanas e outros agrupamentos territoriais. No caso do Duero/Douro participam 170 entidades, em especial Juntas de Freguesia e alguns municípios.
O Sabugal faz-se representar pelas Juntas de Freguesia de Águas Belas, Aldeia da Ponte, Aldeia Velha, Alfaiates, Baraçal, Bendada, Cerdeira do Côa, Fóios, Lomba, Malcata, Moita, Nave, Penalobo, Quadrazais, Quintas de São Bartolomeu, Rendo, Santo Estêvão, Soito, Sortelha, Vila Boa, Vila do Touro e Vilar Maior.
«Nascente do Côa», opinião de José Manuel Campos

(Presidente da Junta de Freguesia dos Foios)

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